Um grupo de moradores do lote 540 (com 39 fogos) do Bairro do Condado, em Marvila, em Lisboa, denunciou esta sexta-feira o “quadro degradado” daquele edificado municipal, sublinhando que o “abandono de Marvila não pode continuar por mais um mandato autárquico”.

A Comissão de Moradores de Marvila (CMM) e a Comissão Utentes Saúde Marvila (CUSM) realizaram esta sexta-feira uma visita ao local, que “se encontra há mais de um mês sem qualquer elevador a funcionar”, e endereçaram um convite ao presidente da Câmara de Lisboa (PSD), aos vereadores, à Gebalis (empresa de gestão dos bairros municipais de Lisboa) e à Junta de Freguesia de Marvila (liderada pelo PS), contando com a presença de alguns partidos.

De acordo com as duas comissões, um dos elevadores começou na quinta-feira a ser reparado “e outro espera há mais de seis meses por inspeção, depois de ter estado parado ao longo de vários anos“.

Numa nota enviada à Lusa, os grupos recordam que no prédio em questão, “todo de propriedade municipal, há uma moradora com doença oncológica que precisa de tratamentos clínicos regulares, e outros, mais idosos, têm várias limitações de mobilidade devido à sua idade e outras razões”.

“Também para moradores mais novos, com crianças, é um tormento descer as escadas sem apoio de terceiros”, explicam.

Os moradores pretendem levar a questão à reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa na próxima quinta-feira, exigindo “respostas urgentes e prementes que devolvam dignidade habitacional a todos os vizinhos do lote 540″.

Entre os problemas encontram-se também as falhas dos intercomunicadores, que “não funcionam há seis anos“, e da porta de acesso ao prédio, que “está inoperacional”, assim como as caixas de correio no seu exterior “não garantem condições de segurança da correspondência que é recebida”.

São também vários pontos/quadros elétricos que se encontram “degradados e com acesso livre”, e não há iluminação pública “em muitas zonas”, além de várias outras deficiências.

“Há sinais de fugas de gás sentidas na área exterior do 5.º andar, o portão de acesso ao telhado encontra-se bloqueado, inclusive quando o é requerido por necessidades de intervenção de bombeiros ou outras entidades, a caixa do contador de água de consumo comum do prédio está em permanência fechada, impedindo o seu uso para limpezas gerais do prédio”, explicam, referindo que as limpezas devidas não são asseguradas.

“O abandono e o desleixo da Câmara Municipal de Lisboa/Gebalis é de tal natureza que, apesar de haver há vários anos um tubo metálico de abastecimento de água às lojas do lote 540, esta continua a ser feita por um tubo plástico, provisório e pendurado na fachada exterior do edifício”, denunciam.

Estiveram presentes os vereadores João Ferreira (PCP) e Carolina Serrão (BE), e os eleitos na Assembleia de Freguesia de Marvila, Filipe Silva (Chega) e José Martins (PCP). O vereador do PS Sérgio Cintra participou já na fase final da visita.

“Não tivemos qualquer justificação”, referiram, sobre as ausências dos restantes convidados.

Foi assumido pelos eleitos presentes a sua futura intervenção ao nível da câmara e da freguesia.

“A CMM/CUSM vai continuar a dar visibilidade ao quadro degradado do lote 540, que não pode passar a ser uma marca deste, assim como de muito outro edificado municipal, exigindo da Câmara de Lisboa/Gebalis a reabilitação habitacional que Marvila merece. O abandono de Marvila não pode continuar por mais um mandato autárquico”, apelaram as duas comissões.

Os moradores de Marvila têm vindo a queixar-se há largos meses das constantes avarias nos elevadores e das condições habitacionais, incluindo infiltrações, sobretudo no Bairro do Condado e no Bairro Marquês de Abrantes.

O presidente do executivo municipal, Carlos Moedas (PSD), não esteve presente na visita, mas entregou as chaves de um novo edifício de habitação municipal também na freguesia de Marvila, incluindo a “chave número 3.000” no concelho desde que tomou posse, em 2021, segundo uma nota oficial.

O novo edifício em Marvila é, de acordo com a autarquia, composto por dois blocos e disponibiliza 105 fogos de habitação, incluindo tipologias acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida, todos integrados no mercado de renda acessível. As tipologias variam entre T0 e T4.