A Iberdrola iniciou o processo de instalação e montagem daquele que é descrito como o maior parque eólico de Portugal. O complexo formado pelos parques do Tâmega Norte e Tâmega Sul terá 274 megawatts (MW) de potência que está assente em 38 aerogeradores. O investimento de 350 milhões de euros vai funcionar em complemento com o sistema hidroelétrico do Alto Tâmega, potenciando a produção de eletricidade nas barragens exploradas pela elétrica espanhola.
O parque vai estar dotado dos maiores e mais potentes geradores a nível mundial, cada um com 7,2 MW de potência, que envolvem pás de 85 metros e uma torre de 114 metros, dimensões que representam um desafio para o transporte. Os equipamentos fabricados pela Vestas com partes produzidas em vários países europeus (incluindo Portugal) são enviados por mar para o Porto de Aveiro a partir da Polónia.
Na última fase, o transporte é feito por estrada, mas com recurso a um sistema inovador, refere a elétrica em comunicado, um blader lifter (veículo vocacionado para este tipo de transporte). A tecnologia, “pioneira na Europa”, permitirá realizar o transporte de forma segura e envolve um veículo que permite rodar as pás na vertical ou horizontal com o recurso a um mecanismo hidráulico ao qual a pá é acoplada para o transporte. Este equipamento permite inclinações de até 60%, o que, por sua vez, permite contornar curvas apertadas, inclinações e outros obstáculos que possam surgir nas vias rodoviárias.
▲ Pás de 84 metros são transportadas uma a uma através de um veículo especial
Cada uma das 110 pás de 85 metros irá exigir um transporte específico. O material dos aerogeradores — torre e pás — será transportado até ao local do parque no primeiro trimestre de 2026, prevendo-se que a construção fique concluída no terceiro trimestre do próximo ano. A Iberdrola promete acompanhar este processo com a monitorização do impacto na biodiversidade local, estando previstas ações de compensação nos habitats, bem como um plano de recuperação paisagística.
Os parque eólicos do Tâmega deverão produzir 601 gigawatts por ano, o que é suficiente para abastecer o consumo de 128 mil casas. Este valor corresponde à soma das habitações das cidades de Braga e Guimarães e permitirá evitar mais de 230 mil toneladas de CO2, segundo a Iberdrola. Para este projeto foi assinado um acordo com o fundo soberano norueguês que envolve um contrato de fornecimento de energia de longa duração.
A junção da potência eólica com a hídrica reflete uma tendência crescente no setor das renováveis de integrar tecnologias (hibridização) de forma a potenciar a produção e a capacidade de armazenamento, o que neste caso reforça o contributo do sistema eletroprodutor do Tâmega para o sistema elétrico nacional. Segundo o comunicado, este será o primeiro projeto eólico com conexão a uma rede híbrida (eólica e hídrica) que estará integrado na subestação do sistema elétrico do Tâmega.