Não é preciso fazer grandes cambalhotas de pensamento ou exercícios de argumentação para ter certezas sobre a realidade atual do Manchester United: Ruben Amorim precisa de um período consistente, prolongado e claro de resultados positivos para reconquistar os críticos, convencer os que ainda o apoiam e assegurar que é a pessoa certa para o futuro do clube. Só que esse período continua a tardar.

Depois de uma série de três vitórias consecutivas e cinco jogos sem perder em outubro, o Manchester United voltou a travar e caiu em Old Trafford com o Everton. Nos últimos quatro encontros, porém, ganhou dois e empatou outros dois, num registo que não era perfeito mas que permitia entrar nas últimas semanas do ano com a possibilidade e o objetivo de chegar a 2026 num lugar interessante da Premier League. Ainda assim, mais uma vez, nem esse otimismo era o suficiente para recuperar o investimento de quem já não acredita no treinador português.

Um recital de Bruno a dar (outra vez) razão a Amorim: United goleia Wolves com bis e mais uma assistência do português

Esta segunda-feira, uma semana depois da goleada imposta ao Wolverhampton, o Manchester United recebia o Bournemouth na sequência de dias que trouxeram novamente muita contestação a Ruben Amorim — principalmente pela parca utilização de jogadores da formação, como Kobbie Mainoo, com Paul Scholes a referir mesmo que o português “não é o homem certo” para o clube. Amorim, porém, escolhe desvalorizar e até compreender.

“Levo com naturalidade. É um facto que eu, como treinador do Manchester United, acho que estamos aquém das expectativas. Devíamos ter mais pontos, especialmente esta temporada. O problema é que eu, como treinador, não estou a fazer um trabalho suficientemente bom e aceito isso. Esse é o único problema, não ganhar é a única questão. Se estivesse a ganhar podia ir para os jogos a cavalo, chegar lá, jogar apenas com dois defesas e estaria tudo bem. No Sporting não havia estes problemas porque estávamos a ganhar sempre. Por isso compreendo e está tudo bem”, explicou o treinador.

Assim, em Old Trafford e ainda com Amad Diallo e Mbeumo, que vão partir para a CAN para representar Costa do Marfim e Camarões, mas já sem Mazraoui, que já partiu para se juntar à concentração de Marrocos, Ruben Amorim apostava em Leny Yoro para substituir o marroquino no trio de centrais e tinha Bruno Fernandes e Diogo Dalot no onze inicial. Do outro lado, num Bournemouth que não vencia desde o fim de outubro mas que vinha de um empate com o Chelsea, Andoni Iraola lançava Justin Kluivert e Marcus Tavernier no apoio mais direto a Evanilson, que era a referência ofensiva.

O Manchester United começou melhor e poderia ter inaugurado o marcador ainda nos instantes iniciais, com Djordje Petrovic a defender um remate perigoso de Mason Mount (8′). O golo, porém, não tardou muito mais: ainda dentro do primeiro quarto de hora, Diogo Dalot cruzou na esquerda, Petrovic abordou o lance de forma incompreensível e Amad Diallo aproveitou para desviar para a baliza (13′).

O Bournemouth conseguiu empatar por intermédio de Semenyo, que acelerou na direita sem qualquer oposição e atirou cruzado para bater Senne Lammens (40′), mas os red devils resgataram novamente a vantagem ainda antes do fim da primeira parte, com Casemiro a cabecear ao segundo poste após canto cobrado por Bruno Fernandes na esquerda (40+4′). Ao intervalo, o Manchester United estava a vencer em Old Trafford.

O regresso para a segunda parte, porém, não poderia ter sido pior. Logo nos instantes iniciais, numa transição muito rápida do Bournemouth, Evanilson recebeu a bola entre dois centrais e atirou rasteiro para empatar (46′). Menos de dez minutos depois, apareceu a reviravolta — e com direito a um livre direto perfeito de Marcus Tavernier (52′). Ruben Amorim mexeu à passagem da hora de jogo, trocando Casemiro por Kobbie Mainoo, voltou a mexer pouco depois, lançando Benjamin Sesko e Lisandro Martínez, mas o homem que faz a diferença já lá estava.

Numa resposta direta a Tavernier, num livre descaído na esquerda, Bruno Fernandes assinou uma execução exímia e não deu qualquer hipótese a Petrovic, empatando novamente o jogo (77′). Logo a seguir, nova remontada: Sesko conduziu na esquerda e cruzou para a área, a defesa do Bournemouth não soube resolver e Matheus Cunha aproveitou para rematar e marcar (79′). A partida, contudo, só terminou já perto do fim e através de Éli Junior Kroupi, que recebeu na área e atirou forte para registar a igualdade (84′).

No fim, Manchester United e Bournemouth não conseguiram mesmo desatar um empate com oito golos e os red devils voltaram a tropeçar na Premier League, falhando a possibilidade de igualar o Chelsea e ficando no sexto lugar com os mesmos pontos que o Liverpool mas ainda de fora da zona de apuramento para as competições europeias.