No discurso de preparação do Conselho Europeu de 18 e 19 de dezembro, Ursula Von der Leyen reforçou o alerta de que o mundo, em particular a Europa, lida hoje com um contexto “de guerras, transacional e de predadores”, sublinhando que “nós, europeus, nos devemos defender e dependemos de nós mesmos”, para sustentar os próximos passos da Comissão .
A Presidente da Comissão Europeia quer uma União Europeia com maior autonomia estratégica e “responsável pela sua própria segurança”, “que vá mais longe e rapidamente”.
Durante o discurso feito perante os 720 eurodeputados, a líder do executivo europeu apontou a mira a Moscovo, frisando que “da defesa à energia” a Europa vai continuar a “fazer do impossível possível”, para garantir que se torna verdadeiramente autónoma.
“E estamos prontos para ir mais longe. Porque, com a nossa independência, somos mais fortes. Uma Europa mais forte é um parceiro mais forte, não só para promover, mas para garantir um mundo mais seguro”, concluiu Von der Leyen.
“Uma paz que proteja Ucrânia protege também a Europa”
Na Defesa, ponto-chave do discurso da presidente, Von der Leyen diz que ter uma Europa dependente da proteção de outros “já não é uma opção”, defendendo que a estabilização do continente passa por apoiar e financiar a Ucrânia, onde está em jogo “a nossa liberdade, a nossa prosperidade e a nossa independência”, uma vez que “uma paz que proteja Ucrânia protege também a Europa”.
A Presidente da Comissão Europeia defende que, perante uma Rússia cada vez mais agressiva e ágil, a União Europeia deve estar “focada na sua própria estratégia, nos seus próprios interesses e prioridades”, neste que diz ser “o momento da independência da Europa, em que a união deve ser responsável pela sua própria defesa”.
Von der Leyen antecipa um Conselho Europeu com “uma mensagem política muito forte para Moscovo”, revelando que vai debater com os chefes de estado e de governo, no Conselho Europeu, duas opções que “aumentem o custo da guerra para a Rússia”. Não concretiza para já o que contempla concretamente esta discussão, mas garante que terá de passar pelos “uso dos ativos russos congelados na Europa ou pelo uso empréstimos europeus”, que diz representar uma.
O Conselho Europeu reúne-se amanhã e depois, pela última vez este ano, em Bruxelas. Um encontro que deverá ficar marcado, com especial destaque, pelo investimento em defesa e o apoio à Ucrânia.