Ao início, as visitas à casa de Jeffrey eram “estranhas”. Foi Ghislaine Maxwell quem “o normalizou”. O testemunho de várias vítimas do caso de tráfico sexual do empresário norte-americano foi divulgado ao público pelo governo dos Estados Unidos da América e, entre as infinitas páginas que ficaram disponíveis para todos os interessados, foi possível entender como a cúmplice de Epstein conseguia aliciar as jovens menores para a órbita do empresário.
“[Maxwell] era como uma irmã mais velha, fixe”, descreve “Jane”, cujo testemunho foi divulgado pelo The Guardian. “Dizia coisas como ‘isto é o que os crescidos fazem'”, acrescenta, dando o exemplo de um episódio em que viu Ghislaine Maxwell de tronco nu à beira de piscina de Epstein. Ao ver a britânica “normal”, sem mostrar qualquer tipo de apreensão face a este comportamento que considerava incomum, sentiu-se encorajada pela tranquilidade exibida pela adulta.
“Agia como se tudo fosse normal”, continua a descrição da vítima, referindo que ao longo de todo o processo, Maxwell manteve a sua atitude “casual”. Os documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram o testemunho da jovem de 14 anos, contados por um polícia. Quando foi colocada a questão se este comportamento de Ghislaine Maxwell a deixavam mais calma com o que estava a acontecer com Epstein, a resposta foi afirmativa.
“Normalmente começava com uma das raparigas a massajar os pés de Epstein”, acrescenta. Em alguns casos, “Jane” não estava sozinha na sala com o empresário. Enquanto uma estava próxima de Jeffrey Epstein, “Maxwell aproveitava para provocar as outras raparigas, agarrava os seus seios e dizia-lhes o que fazer”, conta. Ao mesmo tempo, “Jane” admite que era “estranho” a “irmã mais velha” estar na sala naquele momento. Mas não era problema, porque Ghislaine “tentava ser invisível na sala para que a ignorassem ao máximo”.
Com a relação entre as menores e Maxwell a ficar cada vez mais próxima, as relações sexuais com Epstein começaram a intensificar-se. Não obstante, questionado sobre como “Jane” se sentia em relação ao empresário e à cúmplice, admite que “se sentia amada”. “Sentia que eram como uma família, que a apoiavam e, como tal, faziam com que ela se sentisse como se tivesse de estar grata por eles”, continua.
Outra vítima, não identificada, confessa que Maxwell a abordava sobre temas mais pessoais. “Falava com ela sobre a vida em casa, sobre o abuso que sofreu quando era mais nova”, lê-se nos documentos. “Disse-lhe que a sua mãe era drogada e que havia sido molestada múltiplas vezes em criança”. Em resposta, Ghislaine Maxwell terá questionado se a jovem era sexualmente ativa. Pouco tempo depois, recorda ter recebido peças de roupa interior da Victoria’s Secret, enviadas por Maxwell e Epstein.