Três anos na Seleção onde chegou quase como uma figura estranha por ser apenas o terceiro estrangeiro da história, duas qualificações para grandes provas, a conquista da Liga das Nações, o lançamento de variadas apostas de futuro que se estão a tornar o presente do futebol português. Em época de balanços, Roberto Martínez deu uma entrevista ao jornal espanhol Marca onde abordou tudo o que foi vivendo desde que foi a aposta da Federação para substituir Fernando Santos após o Mundial de 2022, no Qatar. Tem muito, falta-lhe pouco. Está feliz, continua a ter o próximo Campeonato do Mundo como grande objetivo (como referira aquando da apresentação). No entanto, há alguém que não esquece e não mais esquecerá: Diogo Jota.

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“Foi uma tragédia a nível humano, da sociedade, que transcende o desporto. Tentamos gerir de uma forma natural, respeitando que todos temos de passar pela dor de maneira diferente. No nosso caso, o balneário foi tentando gerir com sentido de responsabilidade. O Diogo era uma fonte de positivismo, sempre preparado para a luta. E era um virtuoso: trazia intensidade, versatilidade, tinha golo… Era um jogador que não se podia substituir por ninguém”, apontou o espanhol, antes de fazer uma reflexão sobre o que ficou.

“Ganhámos juntos a Liga das Nações e todos sabíamos que o grande sonho do Diogo era ganhar o Mundial. Tivemos de aceitar isso. Transmitiu-nos a ideia de que a vida deve ser aproveitada ao máximo e vivida no presente. Essa mensagem é muito poderosa e já houve sinais disso: no primeiro jogo na Arménia, marcámos aos 21′, houve outro minuto de aplausos aos 21′ e a Hungria marcou… Queríamos retirar o seu número mas o Rúben Neves, o seu amigo mais próximo, assumiu-o a pedido da família, e depois de 60 jogos pela Seleção, marcou o seu primeiro golo. Levamos o Diogo connosco como uma fonte extra de força. É aquela luz que nos lembra que temos de dar tudo de nós e aproveitar a vida. Há coisas que não controlamos”, frisou.

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Perspetivando esse próximo Mundial, até com essa motivação extra, Roberto Martínez assume o objetivo de ser campeão apesar das dificuldades que as equipas europeias irão enfrentar e de uma nuance que coloca outros à frente antes do início da prova. “Aqueles que já ganharam um Campeonato do Mundo podem ser considerados favoritos. Até em termos psicológicos, saber que uma geração anterior ganhou dá uma força especial. Ainda assim, tenho uma confiança incrível neste grupo pela forma como vivem e respiram a Seleção. A referência de Eusébio, que acabou em terceiro no Mundial de 1966, é o mais bonito que podem ter. É um estímulo, o grupo está preparado. As seleções europeias terão um handicap maior, que não é muito falado: três países, logística, adaptação a altitude e climas diferentes…”, comentou, antes de falar em particular de três dos principais jogadores nacionais da atualidade: Vitinha, Nuno Mendes e… Ronaldo.

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“Porque continua a ser indiscutível? Pela atitude. Olhamos para o talento, a experiência e a atitude que todos os jogadores podem trazer à Seleção. Essa exigência máxima que impõe a si próprio para estar e ajudar é o que permite ser convocado e depois tem uma fome de ser o melhor que se transmite em campo. É uma coisa que contagia. 25 golos em 30 jogos jogando a 9 mostra que o faz gera muito para a Seleção. 1.00o golos? Ele está num momento bonito da carreira porque vive dia a dia. O seu segredo é ser o melhor hoje e desfrutar do dia e dia, o número vai ser uma consequência do momento em que decida terminar. Nem creio que esse seja um objetivo. Vitinha? Faz o que os treinadores pensam em qualquer momento, é difícil encontrar a leitura de jogo e o controlo de bola que tem. Nuno Mendes? Quando falamos de um lateral esquerdo esperamos que seja rápido, recupere, defenda 1×1, suba. O Nuno pode jogar por fora ou por dentro, pode estar mais a 10 do que a lateral, pode subir à área, pode jogar como terceiro central… Nunca tinha visto um lateral esquerdo que fosse tão bom em tantos registos diferentes como ele é”, destacou Roberto Martínez.

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Por fim, o selecionador falou também daquele que considera ser o principal segredo de Portugal, que ganhou a última Liga das Nações, e daquilo que pretender deixar para o futuro da Seleção Nacional. “O segredo é a flexibilidade tática. Tentar diferentes aspetos táticos é fácil mas executar bem é muito difícil. Isso tem a ver também com a educação do futebolista português: são competitivos, adoram informação tática. Essa mistura permite que se possa jogar de formas diferentes em função do que é necessário”, explicou.

“Gosto de trabalhar sempre com a ideia de tomar decisões válidas para os próximos 20 anos, é uma responsabilidade que temos. Fizemos 36 jogos e conseguimos equilíbrio e grande consistência. Mantivemos o compromisso de jogadores com muita experiência, como Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Neves, Rúben Dias ou Cristiano Ronaldo, e abrimos caminho a novos talentos como Vitinha, João Neves, Chico Conceição, Pedro Neto ou Renato Veiga. O futebol de formação em Portugal é incrível, constitui um exemplo para outros países. É algo que gosto sempre de destacar. Com 11 milhões de habitantes, consegue todos os anos ter três ou quatro jogadores de altíssimo nível”, concluiu Roberto Martínez, que passará a ser o técnico espanhol com mais presenças em fases finais de Campeonatos do Mundo à frente de Vicente del Bosque.