Acompanhe o nosso artigo em direto sobre o conflito israelo-palestiniano

O exército israelita terá detido um membro da Jihad Islâmica palestiniana — o segundo maior grupo jihadista em Gaza —, por crer que estará ligado ao sequestro de Ran Gvili, o refém israelita cujo corpo ainda não foi devolvido, noticia a imprensa hebraica como o Times of Israel e o Ynet Global.

A informação terá sido avançada por fontes palestinianas ao jornal saudita Asharq al-Awsat que noticiou no domingo que “uma força especial israelita capturou um militante da Jihad Islâmica, não longe da Praça da Palestina, na Cidade de Gaza”. As mesmas fontes alegam que as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) acreditam que o detido tem uma ligação direta ao polícia Ran Gvili, cujo corpo ainda não foi entregue a Israel.​ O seu nome consta, segundo o Asharq al-Awsat, da lista que Israel enviou aos mediadores no Egito com os nomes dos membros da organização envolvidos no caso  bem como outras informações sobre quem o raptou e deteve o corpo.

O homem terá sido detido pelas IDF a cerca de um quilómetro a oeste da Linha Amarela numa operação secreta de Israel.

De acordo com a imprensa hebraica, as autoridades israelitas acusaram a Jihad Islâmica de manter em sua posse os restos mortais do último refém israelita em Gaza. O grupo, por sua vez, disse, no princípio do mês de dezembro, que já tinha libertado todos os reféns. O jornal Asharq al-Awsat cita fontes da Jihad Islâmica que afirmam que o corpo já não está na sua posse, tendo sido entregue a um braço armado do Hamas, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Mas o Hamas nega manter o corpo de Ran Gvili, ainda de acordo com o meio de comunicação saudita.

O cessar-fogo que entrou em vigor a 10 de outubro determinou que o Hamas libertaria os reféns que tinha em seu poder — 48, sendo 20 vivos e 28 mortos, em 72 horas. Na altura, o prazo foi alargado a pedido do Hamas, que alegou que as 72 horas não seriam suficientes para recuperar todos os corpos. Volvidos mais de dois meses, foram entregues 47 reféns, mas continua a faltar Ran Gvili.

Fontes do Hamas disseram ao jornal saudita que o corpo esteve na sua posse há muito tempo e que foi mantido pela última vez meses antes de um cessar-fogo no bairro de Zeitoun. Mas que o exército israelita entrou na área várias vezes, modificando-a com o uso de bulldozers, bombardeamentos aéreos e de artilharia e demolições. E argumentam que todos os membros do grupo que supervisionavam a preservação do corpo e todos os que conheciam a sua localização foram mortos. As mesmas fontes reforçam que é muito difícil encontrar o corpo, explicando que se pode ter misturado com os restos mortais de palestinianos, ou sido arrastado pelos bulldozers israelitas nas zonas onde foi mantido. ​

Porém, a família não desiste de lutar pelo corpo do polícia e juntou centenas de pessoas numa manifestação com uma mensagem clara: não querem que Israel avance para a segunda fase do plano de paz com os EUA sem que Gvili seja devolvido.

Texto editado por Dulce Neto