As autoridades suíças estão a tentar apurar as causas do incêndio que deflagrou num bar da estância de ski de Crans-Montana, em Valais, na Suíça, na madrugada da passagem de ano. No local, um ponto de atração turística, estariam cidadãos de várias nacionalidades. O fogo, ao qual se seguiu uma explosão, terá provocado 40 mortos e 119 feridos, segundo um balanço feito esta sexta-feira por Mathias Reynard, chefe do governo regional.
O Presidente da Confederação Helvética já reagiu às notícias sobre o incidente, através de uma publicação nas redes sociais: “O que deveria ter sido um momento de alegria transformou-se numa noite de luto em Crans-Montana, afetando toda a Suíça e não só”. Guy Parmelin transmitiu as condolências do Conselho Federal aos familiares das vítimas.
What was a moment of joy turned into a tragedy in Crans-Montana last night, felt across the country and beyond. The Federal Council has taken note of this with deep dismay. Its thoughts are with the victims, the injured and their families and it extends its deepest condolences.
— Guy Parmelin (@ParmelinG) January 1, 2026
O que se sabe?
- Tudo começou com um incêndio, que deflagrou pela 1h30. Foi o que explicou à comunicação social a procuradora geral de Valais, Beatrice Pilloud. Depois disso, acrescentou, seguiu-se uma explosão. Ao contrário do que disseram inicialmente algumas testemunhas, a explosão terá sido uma consequência e não a causa. “O fogo alastrou-se e, à medida que se intensificava, causou uma explosão generalizada”, disse também Stephane Ganzer, membro do Conselho Estatal de Valais.
- O número de vítimas. Inicialmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália falava em 47 mortos. No entanto, em conferência de imprensa, esta sexta-feira, o presidente do cantão de Valais, Mathias Reynard, afirmou, que 119 pessoas ficaram feridas e outras 40 morreram na sequência do incêndio que deflagrou no Le Constellation.
- Excluiu-se um ataque. “Gostaria de esclarecer que, nesta fase, estamos a tratar isto como um incêndio e que não há qualquer indício de um ataque”, sublinhou a procuradora geral de Valais. A polícia suíça disse o mesmo, acrescentando que também “não foi um dispositivo explosivo que provocou o fogo”. Tudo aponta para uma ignição generalizada que terá provocado uma deflagração do incêndio, de acordo com Béatrice Pilloud.
- Foi decretado estado de emergência. Stéphane Ganzer, chefe do departamento de segurança local, explicou que, “perante a gravidade dos acontecimentos, o Conselho de Estado decidiu decretar o estado de emergência”, uma decisão que “permite coordenador os diferentes meios — meios massivos” — para o local. “Estamos perante um acontecimento que vai obrigar à mobilização de várias forças de coordenação e que vai prolongar-se”, admitiu. Foram mobilizados 150 profissionais de saúde, dez helicópteros e 40 ambulâncias.
- Há portugueses afetados? O local onde ocorreu o incêndio é ponto de interesse turístico e as autoridades suíças admitem que na noite de passagem de ano haveria clientes de múltiplas nacionalidades.
As autoridades locais confirmaram que há uma portuguesa entre os 119 feridos resultantes do incêndio no bar. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal dá, ainda, conta de uma desaparecida, garantindo que o incidente está a ser acompanhado pelas autoridades consulares. - Já se sabe quem morreu? A primeira vítima mortal a ser identificada é um jovem que faria 17 anos no dia 21 deste mês, promessa do golfe italiano. Chama-se Emanuele Galeppini e a notícia foi dada pela Federação Italiana de Golfe no X, lamentando a morte do “jovem atleta que personificava paixão e valores autênticos”.
O que falta saber?
- A origem do incêndio. A procuradora geral de Valais revelou que o incidente está a ser tratado como um fogo, mas não adiantou para já as causas, sublinhando que é demasiado cedo para falar nisso. “Ainda estamos no início da investigação. Vai levar muito tempo, os especialistas só vão poder intervir quando o local estiver seguro”, apontou. Horas mais tarde, em conferência de imprensa, Béatrice Pilloud acrescentou que “a investigação irá determinar se todas as normas de segurança foram respeitadas” e que, até ao momento, não há suspeitos.
Embora as causas do acidente ainda sejam desconhecidas, várias testemunhas citadas pela Sky News e pela ABC Internacional, relataram que o incêndio poderá ter sido provocado por foguetes (uma espécie de sparklers maiores) colocados em várias garrafas de champanhe. Esta versão foi confirmada pela procuradora-geral de Valais, Beatrice Pilloud. “Tudo indica que o incêndio teve origem em velas que estavam colocadas em cima de garrafas de champanhe”, explicou, frisando que terão chegado demasiado perto do teto, com o fogo a propagar-se “muito rapidamente”.
- A nacionalidade das vítimas e dos feridos. O local onde ocorreu o incêndio é ponto de interesse turístico e as autoridades suíças admitem que na noite de passagem de ano estariam lá pessoas de múltiplas nacionalidades.
Numa conferência de imprensa em que foram atualizados os dados do incêndios, as autoridades revelaram as nacionalidades de 113 dos 119 feridos: 1 português, 71 suíços, 14 franceses, 11 italianos, 4 sérvios, 1 polaco, 1 belga, 1 bósnio e 1 luxemburguês.