A portuguesa hospitalizada em Sion, que as autoridades suíças chegaram a confirmar fazer parte dos 119 feridos resultantes do incêndio no bar de uma estância de ski, no cantão de Valais, na Suíça, terá, afinal, dado entrada no hospital na sequência de uma queda que nada teve a ver com o incidente que fez 40 mortos. A informação foi avançada pela CNN Portugal, que falou com a família da mulher e que explica a confusão que levou o Ministério dos Negócios Estrangeiros a confirmar na tarde desta sexta-feira que a mulher de cerca de 40 anos, natural de Mirandela, seria uma das vítimas.

Segundo a explicação dada à Lusa pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SECP), a emigrante portuguesa tinha-se dirigido ao hospital de Sion na noite de 31 de dezembro “devido a um pequeno acidente doméstico”. Emídio Sousa indicou que esta informação lhe foi confirmada pela cônsul-geral em Genebra, Maria Leonor Penalva Esteves. “A cidadã portuguesa já teve alta hospitalar”, acrescentou o SECP.

Mantém-se, no entanto, a informação de que estará desaparecida uma outra cidadã nacional, com cerca de 22 anos, residente em Crans-Montana e que é originária de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro.

“Neste último caso, apenas temos esta informação de desaparecimento, não sabemos se estará entre as vítimas, ferida ou não, ou se será por outro motivo qualquer”, contextualizou à Lusa o secretário de Estado, na tarde desta sexta-feira.

Ainda à CNN Portugal, Emídio Sousa informou que a Proteção Civil portuguesa disponibilizou duas vagas nas alas de queimaduras, uma em Lisboa e outra no Porto, caso a cidadã ferida tivesse de ser trazida para Portugal — o que não se confirma, porque segundo a família já teve alta.

Segundo Emídio Sousa, foi ainda criada uma linha de apoio junto da embaixada e do consulado português na Suíça para que as pessoas que tivessem algum ente próximo desaparecido — familiar ou amigo — informassem o ministério, dado que existem corpos por identificar e porque “muitas das vítimas estão internadas, mas não estão identificadas”. O secretário de Estado salientou que Portugal está completamente disponível para “tudo o que seja necessário” e que confia que as autoridades suíças “estão à altura deste desafio”.

Associação aconteceu porque vítimas foram atendidas no hospital ao mesmo tempo

A CNN Portugal falou com a família da mulher que esteve hospitalizada, que explicou que a portuguesa, natural de Mirandela, deu entrada na unidade hospitalar devido a uma queda, sem qualquer ligação ao fogo.

Segundo a família, como a entrada no serviço aconteceu ao mesmo tempo em que estavam a ser atendidas as diversas vítimas de Crans Montana, foi feita uma associação que não corresponde à verdade.

A informação de que não se trata de uma vítima do incêndio foi também confirmada pelo Correio da Manhã. O Observador contactou já ao início da noite desta sexta-feira por telefone o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, para obter mais informações, tendo Emídio Sousa confirmado apenas estarem a ser feitos novos contactos junto das autoridades suíças.

Ainda antes de ser noticiado que os dois casos não estavam relacionados, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou a sua solidariedade para com as famílias das vítimas.

“Perante o conhecimento da existência de uma compatriota ferida e a possível ocorrência da morte de outra compatriota, o Presidente da República manifesta a sua solidariedade às suas famílias neste momento tão difícil”, escreveu Marcelo Rebelo de Sousa numa mensagem publicada no site da Presidência da República.

Dos 119 feridos, 80 estão em estado grave, revelou chefe do governo regional

Numa conferência de imprensa em que foram atualizados os dados do incêndios no bar da Suíça, as autoridades do país revelaram esta sexta-feira as nacionalidades de 112 dos 119 feridos — um número que reflete a revisão em alta do número de pessoas com ferimentos.

Dos feridos, cerca de 80 estão em estado considerado grave, revelou Mathias Reynard, chefe do governo regional. Destes, os 22 casos mais graves foram transferidos para uma unidade de queimados no hospital de Lausanne (CHUV), segundo a mesma fonte, bem como para Zurique e Genebra.

Há, também, feridos que estão em França e em Itália, em hospitais especializados neste tipo de ferimentos.

As autoridades da Suíça, através do chefe do governo regional, Mathias Reynard, revelaram que, até agora, apenas é possível confirmar 40 mortos. Na quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano tinha falado em 47 mortos no incêndio que deflagrou no bar.

As velas de faísca em garrafas de champanhe estará na origem do incêndio. A procuradora-geral de Valais, Beatrice Pilloud, afirmou que o Ministério Público não está a poupar esforços para apurar as circunstâncias do “trágico acontecimento” e não descarta a possibilidade de a investigação levar a responsabilização penal.

“Tudo indica que o incêndio teve origem em velas que estavam colocadas em cima de garrafas de champanhe”, explicou, frisando que terão chegado demasiado perto do teto, com o fogo a preparar-se “muito rapidamente”. As autoridades têm em sua posse vídeos e já foram ouvidas testemunhas, entre as quais dois gerentes do bar.

*Texto atualizado às 21h20 de dia 2 de janeiro de 2025 com a informação de que a portuguesa hospitalizada em Sion não terá sido vítima do incêndio, conforme inicialmente avançado pelas autoridades, e às 23h com declarações do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas