Acompanhe o nosso artigo em direto sobre a campanha presidencial

O candidato presidencial e líder do Chega acusou este domingo o primeiro-ministro e presidente do PSD de querer uma “marioneta” em Belém ao apelar ao voto em Marques Mendes e de estar “com medo” da sua candidatura.

“Eu acho que o primeiro-ministro não devia ter entrado na campanha presidencial, acho que é um erro que cometeu, mas sobretudo mostra que está com medo de alguma coisa. E se está com medo de quem pode estar na segunda volta e tem receio de eu ir à segunda volta das eleições, é porque não está a fazer as coisas bem”, acusou André Ventura, em Silves, distrito de Faro.

Em declarações aos jornalistas, no início de uma arruada na praça do município, o candidato às eleições presidenciais de 18 de janeiro reagia ao facto de o líder do PSD ter apelado à concentração do voto em Luís Marques Mendes de “socialistas moderados, liberais, sociais-democratas e democratas-cristãos”, avisando que votar em Cotrim ou Seguro não garante uma segunda volta sem “dois candidatos populistas”.

“Se o primeiro-ministro está com medo que eu seja Presidente da República, é porque se calhar não está a cumprir o seu papel como deveria cumprir”, argumentou Ventura.

O candidato a Belém defendeu ainda que o Presidente da República “não é eleito para ter uma relação fácil com o Governo”.

“Nós já temos um Governo que é ineficaz, na minha perspetiva, na maior parte das coisas, aliás, acho que os portugueses acham o mesmo. Se elegermos um Presidente da República para ser uma marioneta do Governo…”, antecipou, considerando que Marques Mendes será “uma marioneta” nesse cenário.

O presidente do Chega acusou Montenegro de desespero, ao apelar ao voto de socialistas e afirmou que não vai andar “desesperado a pedir os votos dos outros partidos” para chegar à segunda volta.

Ventura visou ainda Henrique Gouveia e Melo, que de manhã esteve na Feira do Relógio, em Lisboa, onde ouviu mensagens cruzadas contra André Ventura, mas, também, contra o sistema democrático.

“Ouvi o candidato Gouveia e Melo numa feira com ciganos e com imigrantes e pessoas a dizerem que os ciganos trabalhavam muito e descontavam muito e que ele era o candidato deles. Bom, então acho que a coisa está clara agora e ainda bem que é assim, que vá à Feira do Relógio, que tem o apoio dos ciganos, dos imigrantes. Eu quero ter o apoio dos portugueses, é esse o candidato que eu quero ser”, afirmou André Ventura, que foi condenado pelo tribunal a retirar cartazes que tinham como alvo a comunidade cigana.

Questionado sobre declarações suas no sábado em que afirmou que, se fosse Presidente da República, José Sócrates já estaria na prisão, André Ventura disse que iria “garantir que há uma reforma da justiça” — reforma essa que teria de passar pelo Parlamento, antes de ser promulgada pelo chefe de Estado.

Perante mais perguntas sobre como é que um chefe de Estado poderia assegurar que alguém seria preso, o líder do Chega insistiu apenas na ideia de incentivar uma reforma da justiça e leis.

André Ventura alegou ainda que é o único candidato que defende uma reforma da justiça, quando a maioria dos candidatos a estas presidenciais já criticaram o funcionamento atual da justiça e defendem, também eles, uma reforma deste setor.

Depois das declarações à comunicação social, o candidato presidencial participou numa arruada de cerca de uma hora em Silves, concelho onde o Chega foi o partido menos votado nas autárquicas de 2025, elegendo um vereador, com 15,55% dos votos, num município em que a CDU (PCP/PEV) manteve a liderança do município.

Já nas legislativas do mesmo ano, o partido foi o mais votado no concelho, com 37,57% dos votos, algo que já tinha acontecido no sufrágio de 2024.

“Nós somos o tornado em direção ao sistema político”

Já em Beja, o candidato afirmou que o Chega é um “tornado em direção ao sistema político”, acreditando numa vitória na primeira volta das eleições de 18 de janeiro com “uma amplíssima margem”.

“Nós somos o tornado em direção a eles, nós somos o tornado em direção ao sistema político. Não são eles. Nós é que somos o tornado”, afirmou o líder do Chega, que falava num comício num cineteatro em Castro Verde.

Insistindo que as sondagens lhe dão a vitória na primeira volta (quando a maioria apontam para empate técnico entre quatro candidatos), o presidente do Chega apontou como desafio vencer por “amplíssima margem” no dia 18.

“É tão bom vê-los todos com medo, todos a juntar esforços, a pedirem para os outros candidatos de esquerda desistirem”, disse André Ventura, considerando que todos os outros candidatos querem ir à segunda volta com ele (as sondagens apontam para uma derrota do presidente daquele partido contra qualquer outro dos três principais candidatos).

Ventura argumentou que “voto útil” nestas eleições só existe um e visou alguns dos seus adversários na corrida a Belém, começando por Luís Marques Mendes, insistindo que caso seja eleito será “uma marioneta do Governo e um gestor e negociatas”.

“Se o Gouveia e Melo vence as eleições, nós não vamos ter um Presidente, vamos ter alguém que nem sequer sabemos o que pensa sobre assunto absolutamente nenhum”, criticou.

O líder do Chega criticou ainda António José Seguro, apoiado pelo PS, afirmando que, se “um socialista for eleito para o Palácio de Belém”, tal será “um erro histórico” e que o país “não pode voltar para trás”.

Para a vitória que acredita que terá no dia 18, André Ventura confia que irá voltar a conquistar o “Portugal esquecido” e que irá amealhar o voto dos que se sentem “abandonados e esquecidos”.

Numa intervenção de quase meia hora, voltou a insistir que “há tudo para os imigrantes e nada para os portugueses”.

O candidato presidencial insistiu também na ideia de que “os ciganos têm de cumprir a lei” – a mesma frase que levou o tribunal a condená-lo e a obrigar à retirada de cartazes – e prometeu que “não haverá um cêntimo para mesquitas em Portugal” – proposta apresentada pelo Chega no âmbito do debate orçamental e tida como inconstitucional em novembro de 2025.

André Ventura recordou também uma interação com um casal de emigrantes na Suíça numa arruada em Silves, lamentando que estes cidadãos não recebam boletins de voto para as presidenciais.

A lei eleitoral, de acordo com o portal da Comissão Nacional de Eleições (CNE), não permite a votação por correspondência em eleições presidenciais, apenas de forma presencial.

Na sua intervenção, abordou ainda a regionalização, defendendo mais competências a nível local e de mais meios descentralizados, mas recusou a ideia de uma regionalização com instituições regionais, como parlamentos ou governos regionais. Para André Ventura, essa seria “a regionalização do tacho político”.

Nas legislativas de maio de 2025, o Chega ficou atrás do PS em Castro Verde por apenas 18 votos, mas venceu o distrito, tendo eleito um deputado, ex-PSD, Rui Cristina — atualmente presidente da Câmara Municipal de Albufeira, em Faro.