Chegou ao centro de treinos de manhã, reunião com o CEO Omar Berrada e com o diretor do futebol Jason Wilcox, acertou a rescisão num ápice deixando todas as burocracias para os representantes das duas partes, agarrou numa caixa para colocar todos os pertences e deixou Carrington ainda antes do início da chegada dos jogadores para mais uma sessão de treino. Aliás, quando os primeiros atletas foram percebendo que faltava ali alguém, perguntaram aos técnicos adjuntos onde estava o número 1 e a resposta chegou numa só palavra: “casa”. Mais tarde, de óculos escuros e acompanhado pela mulher, Ruben Amorim estava com aquele ar de quem está leve, quase aliviado quando saiu de casa já a preparar a mudança de tudo para Portugal. O tempo entre o início do fim de semana e a manhã de segunda-feira, mesmo tendo o encontro em Leeds e a explosiva conferência onde atirou a tudo e todos (poupando a equipa e os jogadores), deu-lhe isso.
Quando o Manchester United confirmou através de um lacónico comunicado que tinha rescindido contrato com Ruben Amorim (o treinador principal Ruben Amorim e não o manager Ruben Amorim, como o técnico português reclamara umas horas antes), chegava ao fim uma relação que perdera há algum tempo toda a sua validade apesar da ligação contratual por mais uma época e meia. Não foi um que errou, não foi outro que errou, foram todos que erraram. Aliás, tudo aquilo que se escreveu sobre os bastidores do que se passava em termos internos até à saída do ex-campeão pelo Sporting apenas confirmou aquilo que há muito se estava a perceber – em vez de construir um futuro, o United ia encontrando becos sem saída no presente cometendo os mesmos erros do passado. Mais do que o problema muito abordado do “sistema” que nem o Papa faria que o português alterasse, que podia ser algo conjuntural, os males do clube são estruturais.
Agora, enquanto continuam a existir “despedidas” de uma era que durou apenas 14 meses como se viu num café que Bruno Fernandes, capitão de equipa e muitas vezes (ou quase sempre) elo de ligação entre plantel e equipa técnica, foi tomar com o adjunto Carlos Fernandes, a estrutura vai pensando na melhor solução para o futuro, parecendo ganhar força a possibilidade de haver um treinador a levar a equipa até ao final da época com o nome de Ole-Gunnar Solskjaer a ser cada vez mais ventilado em detrimento de uma sucessão “direta” que apontasse para outros técnicos referenciados como Oliver Glasner ou Gareth Southgate. Para já, a única certeza era que Darren Fletcher estaria no banco no regresso à Premier, fora com o Burnley.
“Ainda não tive a oportunidade [de falar com Ruben Amorim]. É um momento em que tem muita coisa a passar-lhe pela mente e tenho estado bastante ocupado, portanto ainda não houve essa oportunidade. Mas adoraria falar com ele, até porque tínhamos uma boa relação. Sempre foi uma ótima pessoa comigo. Recebeu-me muito bem a mim e ao meu staff no final da temporada passada. E, acima de tudo, foi o treinador que estreou o meu filho. Como pai, tenho muita coisa a agradecer-lhe. Apesar de terem sido eles a merecer a oportunidade, foi o treinador que o fez. Temos uma boa relação, sim. Estou desapontado [pelo despedimento] mas as coisas são como são”, comentou o técnico interino, antigo campeão europeu e inglês pelos red devils que vai agora orientar no plantel principal os seus dois filhos, Jack e Tyler Fletcher.
E havia duas grandes curiosidades em relação ao encontro, que surgia numa fase teoricamente menos difícil no calendário tendo em conta a classificação das equipas: 1) conseguiria o Manchester United regressar aos triunfos, aproximando-se ainda mais da quarta posição do Liverpool que vai defrontar o Arsenal em Londres esta quinta-feira; 2) com que sistema iria abordar o jogo com o penúltimo classificado do Campeonato, onde joga o antigo médio do Benfica, Florentino Luís. Resposta? Mudou tudo. Mudou o sistema, mudou toda a qualidade ofensiva e dinâmicas bom bola, mudou a capacidade de Sesko marcar. Mudou tudo ou quase tudo, tendo em conta que os red devils voltaram a perder dois pontos a permitirem o empate por cima na antecâmara do dérbi com o rival City em Old Trafford na próxima jornada (com ou sem Fletcher no banco).
Este pequeno adepto do Man United fez levou um cartaz especial para o jogo com o Burnley ????
"???????????????????? ????????????, ????????????????????" ❤️#DAZNPremier pic.twitter.com/age2HlOtrD
— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) January 7, 2026
Bruno Fernandes’ game by numbers vs. Burnley:
100% duels won
88% pass accuracy
61 total touches
8 crosses
7 passes into the final third
5 chances created
3 defensive contributions
2 big chances created
1 assistBack in the side and back amongst the assists. ????️ pic.twitter.com/iPZyHOBceU
— Statman Dave (@StatmanDave) January 7, 2026
Com um 4x2x3x1 mais tradicional que colocou uma linha a quatro atrás com Diogo Dalot, Heaven, Lisandro Martínez e Luke Shaw, dois médios à frente com Casemiro e Ugarte, dois alas com movimentos diferentes por fora ou para dentro entre Matheus Cunha e Dorgu e o regressado Bruno Fernandes no apoio a Sesko, o arranque de jogo mais parecia um remake de todos aqueles azares que o Manchester United foi sofrendo esta época, com Humphreys a fazer um cruzamento na esquerda que bateu de forma caprichosa em Heaven, sobrevoou o guarda-redes Lammens e acabou mesmo por inaugurar o marcador no Turf Moor (13′). Foi mesmo um minuto de azar, nem por isso a equipa deixou de procurar outra sorte. E, apesar de toda a demora em ter resultados, o United mostrou uma outra face que pouco ou nada tinha a ver com a anterior.
Representing United at Turf Moor ????⚪️
— Manchester United (@ManUtd) January 7, 2026
De mal a pior para o Man United ???? O período pós-Amorim começa com um auto-golo de Heaven
???????????????????????????? @PremierLeague | @BurnleyOfficial 0 x 1 @ManUtd
???? Adere já e aproveita ???? ???????????????????? ???????????? ????????% ???????? ???????????????????????????????? ???? https://t.co/GDPTC32t4i #DAZNPremier pic.twitter.com/Kvnd1wUr3E
— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) January 7, 2026
Sesko, com um cabeceamento na área para defesa de Dúbravka após cruzamento de Bruno Fernandes (24′), deu o mote para um autêntico “atropelo” ao Burnley no último terço: Humphreys voltou a ser herói ao tirar uma bola de golo de Matehus Cunha em cima da linha (27′), Lisandro Martínez viu um golo anulado numa bola parada após ser assinalada falta sobre Kyle Walker no início da jogada (28′), Sesko teve outro desvio de cabeça com selo de golo após cruzamento de Casemiro que Dúbravka voltou a conseguir desviar com uma grande intervenção para canto (43′), Dorgu teve tudo para marcar após mais um grande passe de Bruno Fernandes, picou por cima do guarda-redes mas Maxime Estevé evitou o empate em cima da linha (45+2′). Qualquer comparação com aquilo que se vira nos últimos jogos era uma coincidência…
???? Tu és o VAR: golo bem anulado?
???? Adere já e aproveita ???? ???????????????????? ???????????? ????????% ???????? ???????????????????????????????? ???? https://t.co/GDPTC32t4i#DAZNPremier pic.twitter.com/9vqskoOJ3j
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Entretanto, em Burnley ????????????#BURMUN #EPL pic.twitter.com/fOltL3R3YF
— GoalPoint (@_Goalpoint) January 7, 2026
Fletcher tinha trabalho facilitado ao intervalo. Podia corrigir posicionamentos, podia procurar dinâmicas que conseguissem surpreender, mas percebia-se que, com aquela atitude, o complicado era mesmo não marcar. Foi assim que, em dez minutos, Benjamin Sesko mostrou o porquê dos mais de 75 milhões investidos na sua contratação ao RB Leipzig, bisando em dois lances de ponta-de-lança após assistências de Bruno Fernandes e Dorgu para a reviravolta (50′ e 60′), sendo que pelo meio o capitão português ainda acertou no poste (55′). A sorte parecia mudar de vez, os azares do costume lá voltaram a aparecer: sem capacidade para travar um esboço de reação do Burnley, o Manchester United consentiu o empate por Anthony (66′) e, apesar de todas as tentativas, não mais conseguiu marcar, apesar de nova bola na trave do jovem Shea Lacey (85′).
Grande assistência de Bruno Fernandes e Šeško volta aos golos ????
???????????????????????????? @PremierLeague | @BurnleyOfficial 1 x 1 @ManUtd
???? Adere já e aproveita ???? ???????????????????? ???????????? ????????% ???????? ???????????????????????????????? ???? https://t.co/GDPTC32t4i #DAZNPremier pic.twitter.com/iGjVactj8V
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Que finalização, Šeško ????
???????????????????????????? @PremierLeague | @BurnleyOfficial 1 x 2 @ManUtd
???? Adere já e aproveita ???? ???????????????????? ???????????? ????????% ???????? ???????????????????????????????? ???? https://t.co/GDPTC32t4i #DAZNPremier pic.twitter.com/ST3sYcqYAG
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Marcus Edwards assiste Jaidon Anthony que marca um golaço ????
???????????????????????????? @PremierLeague | @BurnleyOfficial 2 x 2 @ManUtd
???? Adere já e aproveita ???? ???????????????????? ???????????? ????????% ???????? ???????????????????????????????? ???? https://t.co/GDPTC32t4i #DAZNPremier pic.twitter.com/H3d05JwiKm
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????????: ???????????????????????????? ????-???? ???????????? ????????????
Life after Ruben Amorim begins with a frustrating draw away to struggling Burnley.
United miss the chance to go fourth despite dominating at Turf Moor.
Get all the key stats and our recap here: https://t.co/Y541tFpz45 pic.twitter.com/8nTLN5rLsH
— Opta Analyst (@OptaAnalyst) January 7, 2026