A greve geral do dia 11 de dezembro afetou de forma significativa a atividade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), tendo levado ao adiamento de mais de 37 mil cirurgias e consultas, de acordo com os dados enviados ao Observador pela Direção Executiva do SNS.

A greve geral — a primeira em Portugal desde 2013 — levou ao adiamento de 1.646 cirurgias nos hospitais públicos e ainda de 35.758 consultas, segundo a informação recolhida ao longo das últimas semanas pela DE-SNS junto das Unidades Locais de Saúde (ULS). Desta forma, ficaram por realizar cerca de 88% das cirurgias programadas e de 37,5% das consultas previstas para esse dia.

Segundo a DE-SNS, liderada por Álvaro Almeida, “as unidades de saúde encontram-se a proceder à reprogramação da atividade não realizada, com o objetivo de reduzir ao mínimo possível o impacto junto dos utentes afetados”. No entanto, a recuperação da atividade adiada pela paralisação conjunta — convocada pelas duas maiores centrais sindicais — poderá levar meses, admite o presidente Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Greve geral. Os setores e empresas onde a greve está a ter mais impacto – e aqueles onde quase não se nota

“Os hospitais remarcam os utentes de acordo com as vagas disponíveis. Nalguns casos demora dias, nalguns casos semanas ou, noutros casos, meses. Tentamos sempre que sejam remarcados dentro dos tempos máximos de resposta”, salienta Xavier Barreto, acrescentando que não faria sentido desmarcar procedimentos de utentes não afetados pela greve de forma a priorizar os doentes afetados.

O responsável não ficou surpreendido pelo impacto da greve na atividade do SNS, nomeadamente na área das cirurgias, onde a esmagadora maioria dos procedimentos não se realizou. “Era o impacto que esperávamos. Nas equipas cirúrgicas, basta que falte uma pessoa para a equipa não funcionar. E, nesse dia, os blocos operatórios estavam quase todos fechados”, recorda Xavier Barreta.

No caso das consultas, a situação não foi tão grave (com pouco mais de um um terço a terem sido adiadas) porque só dependem da presença de um médico, grupo profissional que, desta vez, “aderiu menos à greve que outros grupos profissionais”, garante o presidente da APAH.