João Cotrim de Figueiredo negou as alegações de assédio sexual feitas por uma ex-assessora do grupo parlamentar da IL e garantiu que vai recorrer à justiça.

“Tive conhecimento dessa denúncia e é absolutamente falso o que essa senhora pôs a circular e vai ser objeto de um processo por difamação”, declarou o candidato aos jornalistas.

“Há política, há política suja e depois há isto. É absolutamente inadmissível. Não percebo como em Portugal há gente que acha que consegue fazer política desta maneira. Não me vão amedrontar, vou até ao fim para apurar quem pôs isto a circular e porque é que mente de forma descarada”, afirmou.

“Não é possível provar o que não aconteceu, lamento. Isto é absolutamente falso”, garantiu.

“Perguntem a qualquer das dezenas de mulheres que trabalharam comigo ao longo destes anos se têm alguma razão de queixa, incluindo as mulheres que trabalharam comigo na altura dessa senhora”, acrescentou. Frisou estar “de consciência absolutamente tranquila” em relação a este assunto, desde que está na vida política e nos seus 40 anos de vida profissional.

“Uma pessoa que é acusada desta maneira sem ter hipótese de responder na mesma moeda só tem uma hipótese: negar, negar, negar e pôr um processo por difamação”, disse.

Questionado sobre quem acha que está por trás da divulgação deste caso nas redes, respondeu, subindo o tom: “Descubram vocês. Gostava muito, era um bom trabalho”.

O candidato garantiu que não vai desistir da candidatura: “Por causa de uma alegação falsa? Seria completamente estúpido. Não. Irei até ao fim para apurar exatamente porque é que esta mentira apareceu”. E espera que este caso não abale a sua campanha: “Se tenho uma vida impoluta e transparente e de repente aparece uma mentira que abale isso seria muito, muito, muito grave”. E mostra-se confiante de que vai continuar com a campanha em crescendo: “Não me deixo abalar e tenho muita força”.

“A calúnia que circula sobre o meu alegado comportamento é totalmente destituída de fundamento. É de uma gravidade que não pode ser deixada passar sem reação e, por isso mesmo, para além deste esclarecimento, irei processar por difamação a pessoa em causa, independentemente das suas circunstâncias e das funções que exerce num dos gabinetes do atual Governo”, adiantou depois o candidato em comunicado.

As controversas declarações sobre André Ventura no arranque do dia

De manhã, no Fundão, Cotrim de Figueiredo já tinha começado o dia com uma resposta controversa, ao dizer que não exclui votar em qualquer candidato na segunda volta, incluindo André Ventura: “Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda sobre de que candidatos vamos estar a falar. O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conhecia. Moderou o discurso e parece um político diferente.”

O candidato Liberal respondeu assim ao desafio lançado por André Ventura, que anunciou que votaria em qualquer candidato que avançasse para uma eventual segunda volta contra António José Seguro.

Questionado sobre se André Ventura tem condições para ser Presidente da República, Cotrim de Figueiredo respondeu: “Teria de fazer uma reflexão muito grande, não excluo ninguém. Não vou excluir ninguém nesta altura.” A resposta é suficientemente abrangente para permitir não excluir um voto no próprio António José Seguro.

A Iniciativa Liberal, partido de que Cotrim de Figueiredo foi presidente, manteve desde sempre até aqui uma política de linhas vermelhas que impede alianças com o Chega, de André Ventura.

Duas horas mais tarde, no fim de outra ação de campanha numa empresa de Castelo Branco, voltou ao tema Ventura para tentar esclarecer as declarações: “Não excluo nenhuma hipótese, incluindo Ventura, Seguro, Manuel João Vieira e incluindo não apoiar ninguém”.

O candidato Liberal não gostou de saber que Marques Mendes o acusou de ter admitido que não ia à segunda volta e sublinhou que estava a responder a um desafio que lhe foi lançado pelos jornalistas, sobre o candidato que apoiaria caso a sua candidatura não fosse uma das duas mais votadas. André Ventura já tinha respondido ao mesmo desafio, dizendo que se não passar, apoiará qualquer candidato contra António José Seguro.

“Qual é a parte disto que indica que tenho pouca confiança de ir à segunda volta? Nenhuma. Os meus queridos adversários mantenham a calma e não tentem interpretar as palavras que eu não disse”, recomendou o candidato, em resposta a Marques Mendes.

Questionado sobre uma mudança de posição em relação a André Ventura, respondeu: “Estas últimas três semanas têm dinâmicas de campanha diferentes daquelas que eram perspetivadas. Vou ter de ponderar muito bem a melhor forma de me posicionar para uma segunda volta, onde eu creio que vou estar”.

Sobre o risco de afastar eleitorado da base da IL por estar a pôr em causa o Não em relçao ao Chega, Cotrim de Figueiredo, ex-presidente do partido, afirmou: “Nunca deixei de dizer o que acreditava por receio de afastar eleitores. Não vou começar agora.”

Depois publicou um vídeo nas redes sociais a assumir: “Fui pouco claro, assumo que sim, talvez por querer sempre responder às perguntas dos jornalistas. É óbvio que não quero André Ventura como Presidente da República”.