O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu instaurar um processo disciplinar a Frederico Varandas na sequência de uma queixa apresentada pelo FC Porto após as declarações do presidente do Sporting em dezembro e após o jogo contra o V. Guimarães no Estádio D. Afonso Henriques.
Na altura, pouco depois de os leões golearem os vimaranenses, Frederico Varandas dirigiu-se diretamente aos jornalistas e falou longamente sobre o estado da arbitragem em Portugal no passado e no presente — muito motivado pelas críticas recentes de Benfica e FC Porto depois do lance polémico nos Açores, contra o Santa Clara e na Taça de Portugal, onde a equipa de arbitragem demorou mais de dez minutos a assinalar uma grande penalidade sobre Hjulmand que acabou por levar a eliminatória para o prolongamento.
“Sou obrigado a vir defender sobretudo o bom nome do Sporting. Quem não se sente não é filho de boa gente. Vou ter de dizer isto: temos de recuar um bocadinho e volto sempre a esta história. Durante décadas, a arbitragem não era independente, tinha um dono. FC Porto, Benfica. Foram décadas. Com nomes. Pinto da Costa, Luís Filipe Vieira. Eu tenho 46 anos, vocês são da minha geração, crescemos assim. Crescemos onde o erro normal, seja do treinador, do jogador, do presidente ou do árbitro, teve uma forma completamente desproporcionada”, começou por dizer.
“Desde Fontelas Gomes e Luciano Gonçalves que a arbitragem não tem dono. Garanto. Quando digo livre e independente não é uma arbitragem sem erros. Tem erros. Não admito é que me digam que a arbitragem está pior, que este ano está horrível, que antes era muito boa. Está pior em quê? A arbitragem, hoje, não tem dono. Não tem. E o que acontece? Se a arbitragem for assim, numa maratona de 34 jornadas, é normal que os erros humanos sejam proporcionais entre vários clubes”, acrescentou o presidente leonino no dia 23 de dezembro.
De acordo com o jornal Record, o FC Porto argumentou na queixa apresentada que as declarações de Frederico Varandas lesaram o bom nome dos organismos que regulam o futebol nacional, assim como a credibilidade das competições ao longo das últimas décadas, para além de terem atentado contra o FC Porto e a imagem de Jorge Nuno Pinto da Costa. O jornal indica que os dragões terão acusado o presidente do Sporting de manipular a história, com alegações graves e não sustentadas, fomentando um clima de desconfiança constante.