Anúncio, apresentação, campanha eleitoral pelo meio, conferências e demais encontros de esclarecimento, uma Assembleia Geral com possibilidade de voto online além da parte física, a aprovação com cerca de 60% de um universo de quase 30.000 votantes. Seis meses depois, o Benfica District começa a ganhar contornos práticos tendo em conta os processos burocráticos inerentes a um projeto desta dimensão e a necessidade de ter tudo pronto antes do Mundial de 2030 numa organização conjunta entre Portugal, Espanha e Marrocos. Em paralelo, existem outros assuntos a ser tratados – o principal dos quais ligado ao financiamento.

Críticas ao “Sport Lisboa e Betão”, receio de derrapagens, prioridade ao futebol. No final, quase 30 mil disseram “sim” ao Benfica District

De acordo com a Bloomberg, os responsáveis do Benfica já se encontram num período de sondagens a várias instituições financeiras, com os norte-americanos do JP Morgan Chase na liderança dessa corrida. Nenhuma das partes comentou publicamente essas negociações, com fontes ligadas ao processo a explicarem que se trata de um tema ainda numa fase inicial e que pode ou não gerar a formalização de um acordo.

“A receita bruta potencial é de 37 milhões de euros, retirando os custos diretos será à volta dos 24 milhões. Será com esse valor que conseguimos pagar o project finance que permita pagar o Estádio ao final de 15 anos. É um projeto autossustentável e com o mérito próprio para viver”, explicou Nuno Catarino, CFO dos encarnados, por altura da votação em reunião magna do projeto, acrescentando que o custo do Benfica District será de 220 milhões de euros mais 75 milhões para a remodelação do Estádio.

Custo de 295 milhões entre estádio e projeto, o exemplo “à inglesa” e o sonho da NBA: District, um projeto com “impacto positivo nas contas”

“O Benfica District é um projeto estratégico, que visa dotar o clube de infraestruturas que permitem ter um Benfica mais preparado para enfrentar os desafios do futuro. Um projeto que corporiza e traduz uma ambição na vanguarda do que de melhor se faz a nível mundial e sem paralelo na realidade portuguesa. Uma ideia inteiramente vinculada à modernidade, que responde às prioridades presentes e antecipa cenários futuros”, destacou Rui Costa, presidente do conjunto da Luz, durante a Assembleia Geral. “Trata-se de um projeto autónomo em termos de financiamento e que em nenhum momento irá comprometer a nossa capacidade de investimento nas nossas equipas. Pelo contrário, no médio prazo, irá permitir reforçar esse investimento e a nossa qualidade. O Benfica District engloba-se no objetivo mais lato de chegarmos, tão rápido quanto possível, a receitas consolidadas de 500 milhões de euros”, assegurou.

220 milhões de investimento, financiamento privado a 15 anos, 37 milhões/época de receita e três inspirações: o Benfica District, em números

De recordar que o JP Morgan, entre vários processos ligados ao mundo do desporto, trabalhou com outros grandes clubes nacionais, nomeadamente o Sporting e o FC Porto, num processo de apoio a colocação privada de dívida em montantes totais de 225 milhões e 115 milhões de euros, respetivamente. Em resumo, o Benfica District propõe-se a mudar toda a zona que circunda o Estádio da Luz, além do aumento do recinto.

Três pavilhões (um com 10.000 lugares), teatro, nova praça, “outra” Luz: Benfica District, “o mais ambicioso projeto previsto para Lisboa”

  • Aumento da Luz para 80.000 espectadores, com uma nova fachada “fluida e dinâmica na sua arquitetura, que redefine a sua forma através de uma perspetiva contemporânea, moderando a luz e o calor para proporcionar sombra aos átrios e com iluminação LED integrada que tece uma camada digital dinâmica em toda a estrutura, iluminando a arquitetura nos dias de jogo”. “Será adicionado um novo quarto nível à infraestrutura, fora da arquibancada, com possibilidade de escritórios e oferta de hospitalidade premium”, acrescentava o projeto além das explicações supracitadas;
  • Pavilhão ou Arena multiusos com 10.000 lugares, que permitirá não só receber grandes eventos no plano desportivo como concertos, eventos culturais ou eSports, com essa particularidade de passar a ser (de longe) a maior infraestrutura deste tipo a pertencer a um clube desportivo;
  • Dois pavilhões multiusos cobertos de última geração, com capacidade para 2.500 e 1.500 lugares, que acolherão os jogos de modalidades como basquetebol, voleibol, andebol, hóquei patins, futsal, boxe e muito mais, que irão substituir os dois pavilhões existentes e também a piscina;
  • Uma piscina comunitária com 25×25 metros, com comodidades modernas para “um recurso recreativo para adeptos e residentes”;
  • Um teatro/espaço para eventos, com capacidade para 500 pessoas;
  • Um campo de futebol ao ar livre no terraço e uma pista de corrida, “criando ambientes imersivos de treino e fitness no coração de Lisboa”;
  • Instalações comerciais, hoteleiras e residenciais;
  • Um novo espaço de convívio para antes e depois dos jogos com 100×40 metros, aumentando o que existe nesta altura como praça para sócios e adeptos em frente à fachada do Estádio “inspirada nas famosas praças cívicas de Lisboa como a Praça do Rossio” com capacidade para mais de 10.000 pessoas e que poderá funcionar também de forma diária por ter lojas, restaurantes e esplanadas.