A “semente está lançada”. Robert Garson, advogado pessoal de Donald Trump fez contactos na administração norte-americana para que os Estados Unidos da América (EUA) ofereçam asilo aos judeus britânicos. “O Reino Unido já não é um lugar seguro para os judeus. Falei com o Departamento de Estado sobre se o Presidente deveria oferecer asilo aos judeus britânicos nos EUA”, afirmou Robert Garson ao jornal The Telegraph.
Garson, nascido no Reino Unido, mudou-se para os Estados Unidos em 2008. Na entrevista ao jornal britânico, o advogado garantiu não ver “futuro” para os judeus no país, acusando o primeiro-ministro britânico Keir Starmer de permitir o crescimento do antissemitismo.
O advogado contratado anteriormente por Trump para mover uma ação judicial de 50 milhões de dólares (43 milhões de euros) contra o jornalista Bob Woodward, sustentou o interesse da comunidade judaica para os EUA com base em três razões: “Fala inglês como língua nativa, é instruída e não tem uma elevada proporção de criminosos”.
Aliás, Garson não se ficou pelos contactos nos EUA. Incentivou mesmo os judeus britânicos. “Comunidade judaica britânica, quantos sinais de alerta são necessários? O governo não pode proteger-vos, é hora de partir”, escreveu Garson no Instagram.
No entanto, para que não restassem dúvidas de que não há qualquer decisão ou mesmo intenção norte-americana de dar asilo aos judeus britânicos, Garson clarificou que falou em nome pessoal e não da administração Trump ao The Jerusalem Post, esta segunda-feira. O advogado sublinhou que a ideia é muito “embrionária”, mas que tem estado a “fermentar” na sua mente há algum tempo (depois do asilo dos EUA aos agricultores sul-africanos) e que a tem discutido com várias pessoas. Isto é, tem lançado “a semente”.
Depois de o Presidente norte-americano o ter nomeado para o Conselho Memorial do Holocausto dos EUA, para substituir os elementos do conselho nomeados por Joe Biden que Trump demitiu, Robert Garson apresentou a sua sugestão ao embaixador rabino Yehuda Kaploun, enviado especial da Casa Branca para monitorizar e combater o antissemitismo.
“A primeira reação dele foi que a Grã-Bretanha precisa cuidar dos seus próprios judeus. E a minha resposta foi: mas eles lutarão por eles? Sabe, se a América dissesse que dará asilo a todos os judeus nos Estados Unidos, o povo britânico diria ‘ainda bem, vão embora’?”, contou Garson ao The Jerusalem Post.
Quando o jornal faz a pergunta óbvia do porquê dos judeus britânicos não saírem para Israel, o advogado respondeu que não é fácil viver no país:
“É verdade que a razão de ser de Israel é servir de asilo para os judeus. No entanto, há duas coisas: primeiro, viver em Israel é muito difícil (…); segundo, os Estados Unidos têm a segunda maior população judaica do mundo e eu diria que Israel também precisa de uma América forte, e isso é perfeitamente complementar para os judeus.”
A pergunta do The Jerusalem Post seguiu a mesma linha da reação, esta segunda-feira, do ministro da Alyiah (migração de judeus para Israel) e Integração. “O lar do judaísmo britânico, e dos judeus em todo o mundo, é o Estado de Israel”, disse Ofir Sofer ao jornal.
Garson disse que recebeu muitas chamadas de judeus britânicos e o The Jerusalem Post contou que nas últimas 24 horas as redes sociais se encheram de publicações de judeus no Reino Unido que dizem que sair do país não é uma questão de “se” mas sim de “quando”.
“O meu telefone não tem parado”, relatou Garson. “Mas quase nenhuma das perguntas é: ‘Como é que eu chego lá? E como é que peço apenas asilo?’ É: ‘Como é que eu mudo o meu negócio para lá?’”
Nos últimos anos, a sensação de segurança na comunidade judaica do Reino Unido tem vindo a diminuir. Um estudo realizado em 2025 pelo Instituto de Pesquisa Política Judaica revelou que 35% dos judeus se sentiam inseguros no Reino Unido em 2025, em comparação com 9% em 2023, antes do ataque do Hamas a 7 de Outubro.
“Há uma batalha demográfica que a Grã-Bretanha está a perder neste momento”, frisou Garson ao The Jerusalem Post, afirmando que “nos últimos 10 anos, os britânicos tornaram‑se reféns de um grupo de pessoas que faz muito barulho e é violento.”
Garson foi ainda mais longe, e ao The Telegraph, prevê que algumas partes do Reino Unido “sucumbirão à lei da sharia se o islamismo fundamentalista não for contido”. O advogado acusou também as autoridades britânicas de não cumprirem a lei porque não apresentaram queixa contra os manifestantes que “nas ruas da Grã‑Bretanha glorificaram a violação ou a morte de judeus” após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
E, em 2023, Garson referia-se aos manifestantes em Nova York e Los Angeles, que se opunham à resposta israelita perante o ataque do Hamas, como “bandos de saqueadores”, acusando-os de “se disfarçarem de manifestantes” para gritar “cânticos antissemitas a clamar por sangue judeu”.