O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia da zona euro vai crescer 1,3% em 2026 e em 1,4% em 2027, segundo as previsões divulgadas nesta segunda-feira.

“O crescimento ligeiramente mais rápido em 2027 reflete os aumentos projetados nos gastos públicos, principalmente na Alemanha, juntamente com o desempenho forte contínuo na Irlanda e em Espanha”, sinaliza o FMI, na atualização do World Economic Outlook.

A taxa de crescimento mostra “desafios estruturais não resolvidos“, nota a instituição, destacando que o impacto do aumento planeado na despesa com defesa apenas se deverá materializar nos anos subsequentes, dado os compromissos de atingir gradualmente as metas até 2035.

“Em comparação com outras regiões, a zona euro beneficia menos do recente impulso nos investimentos relacionados com a tecnologia”, aponta o FMI, acrescentando que “os efeitos persistentes da subida nos preços da energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia continuarão a afetar negativamente o setor manufatureiro, com pressão adicional da valorização real do euro em relação às moedas de países exportadores de produtos semelhantes”.

Olhando para os países para os quais o FMI disponibilizou previsões, a Alemanha deverá crescer 1,1% este ano e 1,5% no próximo, enquanto para a economia francesa são projetados crescimentos de 1% este ano e 1,2% em 2027.

Já Espanha destaca-se, com o FMI a estimar um crescimento económico de 2,3% em 2026 e 1,9% em 2027, ambos revisões em alta face ao último relatório, de outubro.

FMI revê em alta previsão para o crescimento mundial para 3,3% em 2026

A previsão de crescimento da economia mundial também foi revista para 3,3% este ano. Na atualização do World Economic Outlook (WEO) divulgada nesta segunda-feira, o FMI projeta que o crescimento global permaneça resiliente em 3,3% em 2026 e em 3,2% em 2027, previsão que representa uma pequena revisão em alta (0,2 pontos percentuais) em 2026 e nenhuma alteração em 2027 em comparação com a edição de outubro de 2025.

Este desempenho estável resulta “do equilíbrio de forças divergentes”, indica o FMI, sendo que “os obstáculos decorrentes da mudança nas políticas comerciais são compensados pelos fatores favoráveis provenientes do aumento dos investimentos relacionados com a tecnologia, incluindo inteligência artificial (IA), principalmente na América do Norte e na Ásia”.

Além disso, destaca-se também o efeito do apoio orçamental e monetário, condições financeiras amplamente favoráveis e adaptabilidade do setor privado.

O crescimento nas economias avançadas deverá ser de 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027, sendo que nos Estados Unidos a economia deverá expandir-se em 2,4% em 2026, apoiada pela política orçamental e por uma taxa de juro mais baixa, enquanto o impacto das barreiras comerciais mais elevadas também diminui gradualmente.

Por sua vez, nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, espera-se que o crescimento continue a rondar os 4% em 2026 e 2027.

Em relação à projeção de outubro, o crescimento da economia chinesa foi revisto em alta em 0,2 pontos percentuais, para 5% em 2025.

Já a inflação global deverá abrandar de uma estimativa de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026 e para 3,4% em 2027.

Estas projeções para os preços também permanecem praticamente inalteradas em relação às de outubro e preveem que a inflação regresse à meta de forma mais gradual nos Estados Unidos do que em outras grandes economias.