O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, admitiu, esta quarta-feira, que a investigação ao acidente de comboio em Adamuz, que fez pelo menos 42 mortos, é “complexa e exige tempo”. Em conferência de imprensa, o governante espanhol, citado pelo El País, assegurou ainda que vai ser precisa uma “análise profunda e uma revisão exaustiva de todos atores implicados” no desastre. “Não vai haver nenhum tipo de especulação, falar de causas do acidente antes das conclusões técnicas é precipitado e pouco respeituoso para as vítimas e as famílias”, avisou.

Ao lado de Ángel García de la Bandera — diretor de Trânsito da Adif, a entidade administradora das infraestruturas ferroviárias — e de José Alfonso — diretor de Operações da Renfe, empresa ferroviária dos comboios acidentados —, o ministro dos Transportes, questionado sobre a manutenção das máquinas e das linhas, disse que “a linha alta velocidade espanhola tem, em média, umas quatro comunicações diárias por parte dos maquinistas de observação que realizam em cada viagem”. E, explicou, “acudem-se em função da sua ‘gravidade’, das suas características”, antes de reforçar: “Há, aliás, protocolos muito claros estabelecidos e níveis de intervenção e esses são aplicados”.

Óscar Puente assegurou ainda que os maquinistas não tiveram qualquer quota de responsabilidade na tragédia ferroviária. “O fator humano, pelo menos ao que se refere à condução dos comboios, não teve influência. O comboio [em Adamuz] ia a uma velocidade bastante abaixo (200km/h) da máxima permitida neste troços, que é 250 km/h. Portanto, ambos os comboios iam a uma velocidade muito correta”, frisou. “Este é o fator que, neste momento, se pode descartar. Os outros… todos seguem em aberto e, até não termos mais avanços na investigação, não será possível apostar firmemente numa tese concreta” que explique o que se passou em ambos os acidentes, voltou a dizer.

“Eu não tenho preferência por nenhuma das hipóteses. Não tenho nenhuma, sinceramente. Seja o que seja, temos de garantir o que foi às vítimas. Seja o que seja, temos de tentar aprender com o que se passou, para que não se volte a repetir”, antecipou o ministro. “Enganarmo-nos a nós próprios não tem sentido nenhum, mas pessoalmente tenho a consciência tranquila, tendo em conta os dados que pude consultar, lembrando que não há organizações infalíveis”, disse Óscar Puente.

“Foi milagroso que, nas carruagens 1 e 2 não tenha havido mais mortes. Quando recebemos os dados dos passageiros que iam a bordo das duas primeiras carruagens e e vimos como ficaram… A verdade é que a preocupação foi enorme, porque pensávamos que o número (de mortes) ainda ia ser muito superior. Foi um número enorme, 42 vidas é um número enorme. Mas temíamos algo ainda pior”, admitiu Óscar Puente.

Quanto à possibilidade de passar a haver um menor fluxo de comboios por infraestrutura, o ministro dos Transportes defendeu “não haver necessidade” de aliviar o caudal de transportes por linha. No mesmo sentido, olhou ainda para as consequências que um acidente pode ter no número viagens num determinado troço e lembrou que é preciso “confiar na máxima fiabilidade das infraestruturas”, alertando que “este mês vai ser um mês terrível, nesse aspeto”.

Logo a abrir a conferência, Puente deixou, em nome pessoal e do Governo, “os mais sentidos pêsames às famílias das 42 pessoas mortas” e desejou “a pronta recuperação das pessoas feridas”. “São momentos de profunda dor, consternação e respeito”, começou por dizer o ministro.