Ghislaine Maxwell vai depor na Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes no dia 9 de fevereiro, confirmou o presidente da comissão, o republicano James Comer, esta quarta-feira. “Precisamos ouvir Ghislaine Maxwell”, disse o deputado, sobre a cúmplice de Jeffrey Epstein, que foi sentenciada a 20 anos de prisão em 2022 por tráfico sexual. De acordo com a NBC News, o depoimento será virtual, já que Maxwell cumpre pena numa prisão federal no Texas.

Na terça-feira o advogado da cúmplice de Epstein pediu um adiamento e sugeriu que “clemência” pela sua condenação seria a única forma de promover um depoimento público. “Se o comité proceder agora, a senhora Maxwell vai invocar o seu privilégio contra a autoincriminação e recusar-se a responder qualquer questão”, disse o advogado David Oscar Markus, citado pelo New York Post. A defesa da condenada por tráfico sexual pediu ainda que o depoimento fosse prestado à distância. “Em alternativa, se a senhora Maxwell recebesse clemência, estaria disposta — e ansiosa — a depor aberta e honestamente, em público, diante do Congresso em Washington”, sugeriu Markus.

“Estamos a tentar agendar um depoimento dela há um tempo, mas os seus advogados sempre disseram que ela iria alegar a quinta emenda. Entretanto definimos uma data, 9 de fevereiro, em que Maxwell vai depor diante deste comité”, afirmou James Comer, já esta quarta-feira. De recordar que em julho a comissão recusou oferecer imunidade legal a Maxwell em troca do seu depoimento. Em agosto, Maxwell respondeu às questões do Procurador-geral Todd Blanche, em duas rondas de entrevistas. Pouco tempo depois, foi confirmada a sua transferência para uma prisão de menor segurança, no Texas.

O anúncio do depoimento de Maxwell foi feito por James Comer durante uma sessão que resultou na recomendação de que Bill e Hillary Clinton sejam considerados culpados de desacato ao Congresso, por se recusarem a depor na investigação sobre Jeffrey Epstein. O resultado da votação em relação ao ex-presidente foi de 34 a 8, sendo que nove deputados democratas votaram pela recomendação, juntamente com o voto unânime dos republicanos. Já no caso da antiga secretária de Estado o resultado foi de 28 e 15 para recomendar o desacato, com três democratas a juntarem-se aos votos dos republicanos. O caso agora segue para votação no plenário da Câmara, o que deve acontecer apenas na primeira semana de fevereiro.

Os Clinton recusaram-se por meses a depor no Congresso, apesar das inúmeras intimações feitas pela comissão, justificando que já apresentaram todas as informações que possuem sobre Epstein. Diante da ausência de ambos nas datas agendadas para os depoimentos, James Comer já havia ameaçado o casal com um processo de desacato ao Congresso, que pode resultar numa multa de até 100 mil euros e até um ano de prisão.