O TikTok chegou finamente a acordo para criar uma nova entidade que lhe permite funcionar nos Estados Unidos. A empresa-mãe chinesa, a ByteDance, vendeu uma participação maioritária a um consórcio de investidores não chineses, como era exigido pelos norte-americanos. O negócio envolve, entre outros, a Oracle, a Silver Lake e a MGX, que ficarão cada uma com 15% das operações do TikTok nos EUA, bem como o Dell Family Office e a Vastemere Strategic Investments, avançam vários jornais americanos, entre eles o New York Times.
Um comunicado do TikTok revela que a lista de investidores internacionais inclui a NJJ Capital, o family office, a organização de investimento do empresário francês das telecomunicações Xavier Niel; ou a Virgo LI, o braço de investimento da fundação criada pelo casal Yuri e Julia Milner. Yuri Milner, russo-israelita, é físico e fundador da capital de risco DST Global, que tem investimentos em diversas empresas tecnológicas.
No total, mais de 80% da nova empresa ficará nas mãos de investidores norte-americanos e internacionais, enquanto a ByteDance manterá uma posição de 19,9%. E a saga tem fim.
O acordo surge para responder às exigências das autoridades norte-americanas, que ameaçavam proibir a aplicação chinesa por razões de segurança nacional, caso não fosse afastado o controlo chinês. Uma lei aprovada em 2024 e confirmada pelo Supremo Tribunal dos EUA obrigava o TikTok a separar-se da ByteDance até ao início de 2025, sob pena de ser banido, tendo sido sucessivamente prolongados os prazos. A aplicação chegou mesmo a ficar indisponível durante cerca de 14 horas, antes de a Casa Branca adiar a aplicação da medida para permitir a conclusão das negociações.
A nova estrutura prevê uma administração maioritariamente americana e um CEO próprio para o TikTok nos EUA, mantendo-se, no entanto, uma ligação à ByteDance através do licenciamento do algoritmo, diz a BBC.
Em comunicado, o TikTok revela que Adam Presser será o CEO desta nova entidade e Will Farrell será o diretor de segurança. Ambos já estavam ligados à estrutura norte-americana do TikTok.
O acordo põe fim assim ao impasse legal e político que se arrastava há seis anos, mas continua a gerar dúvidas sobre se as preocupações de segurança dos EUA ficarão totalmente resolvidas, dado que a empresa chinesa continuará a desempenhar um papel relevante no funcionamento da plataforma que detém a rede social.
Trump diz-se “feliz por ter ajudado a salvar o TikTok”
Donald Trump, que em 2020 quis proibir o TikTok nos EUA por razões de segurança nacional, diz-se agora “feliz por ter ajudado a salvar” a aplicação. Ao longo dos anos, Trump mudou de opinião em relação à aplicação: atualmente tem uma conta na plataforma, onde tem 16 milhões de seguidores. Numa publicação na Truth Social, Trump refere justamente que, “entre outros fatores”, a app terá sido responsável pelo seu resultado entre os eleitores jovens nas presidenciais de 2024.
Na Truth Social, o Presidente norte-americano refere que a aplicação “agora será propriedade de um grupo de grandes patriotas e investidores americanos, os maiores do mundo, e será uma voz importante”.
“Só espero que, no futuro, seja lembrado por aqueles que usam e amam o TikTok. Agradeço ao vice-presidente JD Vance e a todos os outros membros da minha administração, que ajudaram a levar este acordo a uma conclusão muito dramática, definitiva e bela”, diz Trump.
Também deixa agradecimentos ao Presidente chinês Xi Jinping “por trabalhar” com os EUA e “aprovar o acordo”. “Ele poderia ter decidido outra coisa, mas não o fez, e aprecio a sua decisão.”