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As primeiras negociações em Abu Dhabi entre representantes russos, ucranianos e norte-americanos terminaram na sexta-feira à noite, anunciou a presidência ucraniana, estando novas discussões agendadas para sábado.
O negociador-chefe ucraniano, Rustem Umerov, referiu na rede social X que a reunião “centrou-se nos parâmetros para o fim da guerra travada pela Rússia e nos próximos passos lógicos no processo negocial, visando avançar para uma paz digna e duradoura”.
“Novas reuniões estão agendadas para amanhã”, acrescentou.
In Abu Dhabi, together with Kyrylo Budanov, @arakhamia_david , and @SergiyKyslytsya, we took part in a trilateral meeting involving the Ukrainian, American, and Russian sides. We appreciate the U.S. mediation.
On the U.S. side, the consultations included Special Envoy…
— Rustem Umerov (@rustem_umerov) January 23, 2026
Estas discussões constituem as primeiras negociações diretas conhecidas entre Moscovo e Kiev sobre o plano proposto pelos Estados Unidos para pôr fim a quatro anos de guerra.
Um dos pontos de discórdia é o destino dos territórios no leste da Ucrânia, com a Rússia a exigir que Keiv retire as suas forças dos cerca de 30% da região de Donetsk que ainda controla.
Controlo de territórios no leste da Ucrânia vai ser discutido nas negociações, diz Zelensky
O encontro em Abu Dhabi começou um dia depois de dois encontros de alto nível, um em Davos entre o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o seu homólogo norte-americano Donald Trump, e o outro em Moscovo entre Vladimir Putin e os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
As negociações diretas anteriores entre a Rússia e a Ucrânia durante o primeiro ano da guerra, em 2022, e várias vezes em 2025, em Istambul resultaram apenas na troca de prisioneiros e de restos mortais de soldados.
A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas do Donbass, na região industrial do leste da Ucrânia, e um compromisso de Kiev de não aderir à NATO.
Zelensky cauteloso sobre “preparação” da Rússia para paz
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta sexta-feira ser “demasiado cedo” para avaliar a nova ronda de negociações em Abu Dhabi sobre o fim da invasão russa, e salientou ser necessário aferir a prontidão de Moscovo para a paz.
No seu habitual discurso noturno Zelensky, reconheceu que a reunião desta sexta-feira foi “importante” porque “já não se realizavam reuniões trilaterais deste tipo há muito tempo“, mas mostrou-se cauteloso quanto às intenções russas.
“O ponto crucial é que a Rússia precisa de estar preparada para pôr fim a esta guerra, a mesma que começou. A posição da Ucrânia é clara”, disse o Presidente ucraniano.
“Quanto ao conteúdo das conversas de hoje, ainda é demasiado cedo para tirar conclusões. Veremos como a conversa se desenrola amanhã (sábado) e que resultados produzirá”, adiantou Volodymyr Zelensky.
Nos últimos meses, a Rússia intensificou os ataques à rede energética ucraniana, provocando cortes massivos de eletricidade e aquecimento, especialmente na capital ucraniana, que enfrenta temperaturas gélidas.
Cada vez mais crítico em relação aos europeus nas últimas semanas, Zelensky proferiu um discurso particularmente duro em Davos na quinta-feira contra os seus principais apoiantes, dizendo ver uma Europa “fragmentada” e “perdida”, quando se trata de influenciar as posições de Donald Trump, e sem “vontade política” face a Vladimir Putin.
Zelensky critica Europa fragmentada e “perdida” na forma como lida com Trump num discurso em Davos
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).