Mais de 250 pessoas da área “não-socialista”, incluindo vários notáveis da política portuguesa, lançaram uma carta aberta de apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. O texto, que é possível assinar por qualquer pessoa que indique o seu nome e profissão, já contava, pelas 14h45, com mais de 650 assinaturas.

Segundo a SIC Notícias, a carta aberta salienta que a situação atual não é comparável à segunda volta das eleições de 1986, dado que na altura a escolha era entre “um moderado de esquerda e um moderado de direita”. Agora, quarenta anos passados, estão em luta “um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais”.

Pertencendo ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado, e o divisionismo que anuncia”, afirmam, acrescentando que Ventura “não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado”.

Entre os subscritores estão Adolfo Mesquita Nunes, Afonso Reis Cabral, André Coelho Lima, António Capucho, António Nogueira Leite, Arlindo Cunha, Carlos Pimenta, Carlos Carreiras, Daniel Proença de Carvalho, David Justino, Diogo Feio, Domingos Amaral, Duarte Marques, Filipa Roseta, Francisco Avillez, Francisco José Viegas, Francisco Mendes da Silva, Guilherme Silva, Henrique Raposo, João Carlos Espada, João Maria Jonet, José Diogo Quintela, José Eduardo Martins, Pacheco Pereira, Miguel Esteves Cardoso, Poiares Maduro, Pedro Santa Clara e Tiago Pitta e Cunha, entre muitos outros.

Os subscritores originais afirmam que “o candidato André Ventura é, além do mais, o mesmo que, no partido que fundou e dirige, apresentou propostas e assumiu posições inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana, como confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte, a cidadania portuguesa concedida a título revogável, a proibição de críticas à magistratura, a estigmatização de comunidades imigrantes, um securitarismo de razia, a continuação às avessas das guerras culturais, a velha tentação censória, o alinhamento com autocratas e governos autoritários”.

“Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado”, afirma a carta aberta.

Já António José Seguro, embora tenha “sempre [estado] ligado ao espaço socialista, evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade”. “Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”, acredita o movimento.