Entre 1995 e 2021, Amanda Wixam manteve uma adolescente cativa na sua casa em Tewkesbury, contado de Gloucestershire, no Reino Unido. A vítima tinha 16 anos quando a família de dez filhos a acolheu, supostamente por um fim de semana. Só foi descoberta pelas autoridades 25 anos depois. Apresentava dificuldades de aprendizagem e sinais de violência frequente, resultado de duas décadas de trabalhos forçados, agressões e privação de comida e cuidados de saúde.

Segundo a Sky News, quando foi encontrada pela polícia, a vítima tinha a cara coberta de cicatrizes e calos nos pés e nos tornozelos, devido às horas passadas a limpar o chão. Seria frequentemente agredida com um cabo de vassoura, obrigada a engolir produtos de limpeza, borrifada com lixívia e forçada a rapar o cabelo. Wixon, de 56 anos, limitava o acesso da mulher cativa a comida e não a deixava abandonar a casa ou ter cuidados de higiene pessoal. O quarto onde dormia foi comparado a uma “cela de prisão” pelos polícias que a resgataram.

Os filhos de Wixon pareciam viver em condições idênticas. A defesa, segundo a referida televisão britânica, diz que se trata de um caso de negligência e não de abusos: as crianças “não eram vacinadas, faltavam à escola e tinham dentes apodrecidos e piolhos”.

As autoridades encontraram a casa da família suja e sobrelotada, com bolor nas paredes e lixo no jardim. Apesar de uma intervenção dos serviços sociais no fim da década de 90, não existem registos de contactos posteriores.

Amanda Wixon foi condenada por sequestro, submissão a trabalho escravo e ofensa à integridade física.

Gloucestershire Constabulary / Facebook

Os vizinhos admitem ter visto a vítima no jardim algumas vezes. “Parecia saída de um campo de concentração” disse um, ao que outro acrescentou que o seu corpo era só “pele e ossos”. “No fim dos anos 90, parece que a mulher desapareceu num buraco negro. Não há qualquer registo da sua existência”, refere a acusação.

Durante as duas décadas de sequestro, a vítima nunca recebeu cuidados de saúde. O juiz a cargo do processo, Ian Lawrie KC, comparou o caso a um romance de Charles Dickens, que em obras como Oliver Twist descreveu cenários de miséria e exploração idênticos.

A denúncia foi feita por um dos filhos de Wixon, condenada pelo Tribunal da Coroa de Gloucester por sequestro, submissão a trabalho escravo e ofensa à integridade física, na passada quarta-feira. Permanece em liberdade condicional até 12 de março, data da sentença. A vítima, agora com mais de 40 anos, foi recebida por uma família de acolhimento e está atualmente a terminar a licenciatura. Já fez uma viagem ao estrangeiro e deixou crescer o cabelo, como sempre quis.

*Texto editado por Cátia Andrea Costa