O cantautor Neil Young deu livre acesso ao seu catálogo musical aos habitantes da Gronelândia para o próximo ano devido às ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o próprio numa publicação feita no seu website.

O músico disse estar “honrado” pelos gronelandeses passarem a ter acesso gratuito ao espólio que tem disponível no seu site, que inclui discos, concertos e outras gravações. Na declaração, Young disse esperar que a sua música e vídeos “aliviem um pouco do stress e das ameaças injustificadas” que os residentes no território estão “a sofrer” por parte daquilo a que chamou de um “governo impopular” que espera ser “temporário”.

“É o meu sincero desejo que possam desfrutar de toda a minha música nas vossas belas casas na Gronelândia, com a mais alta qualidade. Esta é uma oferta de paz e amor. Toda a música que compus nos últimos 62 anos está à vossa disposição. Podem renovar gratuitamente enquanto estiverem na Gronelândia. Esperamos que outras organizações sigam o nosso exemplo. AMEM A TERRA”, escreveu ainda.

Neil Young tem sido constante em assumir posições políticas e tratá-las abertamente ao longo da sua carreira, que já dura há seis décadas. Durante a pandemia, Neil Young retirou a sua música da plataforma Spotify após o anúncio de um contrato milionário com o comediante e podcaster, Joe Rogan, que se opunha à vacinação contra a Covid-19. O catálogo voltou, entretanto, em 2024.

Neil Young quer tirar músicas do Spotify em protesto contra o negacionismo: “Eles podem ter o Joe Rogan ou o Young. Não os dois”

Após dar o seu catálogo por graça, Young anunciou na passada sexta-feira que os utilizadores da Amazon Prime Music deixariam de ter acesso à sua discografia. Noutro comunicado no seu site publicado no domingo, o cantautor atacou o dono da plataforma, Jeff Bezos, por ser um “apoiante bilionário do Presidente”.

“As políticas internacionais do Presidente e o seu apoio ao ICE tornam impossível, para mim, ignorar as suas ações. Se pensa como eu, recomendo fortemente que não utilize a Amazon. Existem muitas maneiras de evitar a Amazon e apoiar americanos e empresas americanas que fornecem os mesmos produtos”, sublinhou.

“Fiz isso com a minha música e as pessoas que a procuram podem encontrá-la em muitos outros lugares”, concluiu, quatro dias antes de dar a música aos gronelandeses.

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