Quase 600 profissionais de Saúde assinaram, em menos de 48 horas, uma manifesto de apoio à candidatura de António José Seguro à Presidência da República. Os subscritores — entre os quais se incluem nomes como os ex-ministros da Saúde Adalberto Campos Fernandes e Fernando Leal da Costa ou os médicos Jorge Roque da Cunha e Hélder Aguiar — alertam que “quando a saúde deixa de ser para todos, deixa de proteger quem quer que seja” e defendem um SNS “onde ninguém é deixado à porta”. Desta forma, apelam a que, no dia 8 de fevereiro, os portugueses escolham “um Portugal que não vira costas a quem precisa” e votem no candidato apoiado pelo PS.
O documento, designado “Manifesto Saúde Segura“, foi colocado online no último domingo por volta das 14 horas e, em menos de dois dias, recolheu já assinaturas de mais de 575 profissionais de saúde. Entre os subscritores, para além de dois ex-ministros, estão profissionais de saúde com diferentes posicionamentos ideológicos, que vão da direita à esquerda. No manifesto incluem-se nomes como o do ex-presidente do Sindicato Independente dos Médicos Jorge Roque da Cunha (do PSD) e de vários médicos com ligações à Federação Nacional dos Médicos (sindicato mais conotado com o PCP), como Mário Jorge Neves, Nídia Zózimo ou Guida da Ponte.
“Trata-se de um manifesto de consciência, de liberdade, que agrega pessoas de várias gerações e é transversal a nível político. Tem pessoas da esquerda à direita”, diz ao Observador um dos impulsionadores da iniciativa, o médico e escritor Hélder Aguiar, que, em novembro último, ganhou o Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís. O médico diz que os subscritores estão “preocupados com a defesa do SNS, com a ética, com a universalidade dos cuidados”, considerando que António José Seguro “representa os valores de defesa do SNS”.
Mais de 250 figuras da área “não-socialista” lançam carta aberta de apoio a António José Seguro
“Apoiamos uma candidatura que defende a estabilidade e os valores éticos, consagrados nas Convenções de Genebra, bem como o respeito incondicional por quem procura os cuidados. Apoiamos por isso António José Seguro porque representa esses valores. Acreditamos numa sociedade que cuida de todos para proteger cada um“, pode ler-se no manifesto, que defende “um país onde o SNS continua a ser um espaço de segurança, ciência e humanidade” onde “ninguém é deixado à porta” — numa crítica velada ao discurso de André Ventura, que tem criticado repetidamente a utilização do SNS por parte da população imigrante.
Os subscritores do manifesto dizem assistir, com “desassossego, à normalização de discursos que barram a saúde a grupos, introduzem hierarquias de valor entre as vidas e desvalorizam a ciência”. No entanto, realçam, “a realidade e os estudos provam-nos outra coisa: a doença não escolhe origem, estatuto ou identidade”.
“Uma saúde pública que não barra a entrada e que garante cuidados de qualidade, a tempo e horas, especialmente para os mais idosos e para os mais vulneráveis. Quando a saúde deixa de ser para todos, deixa de proteger quem quer que seja”, vinca o manifesto de apoio a António José Seguro. Os subscritores acrescentam que Portugal não pode regressar aos “discursos que criam divisão, estigmatização ou desconfiança entre as pessoas”, e que, garantem, “corroem a qualidade dos cuidados” de saúde.
O manifesto (assinado ainda pelo ex-presidente do SICAD João Goulão ou o médico psiquiatra António Leuschner) sublinha que “a saúde é um direito universal”, que “implica princípios éticos, fazer escolhas difíceis e, por vezes, exige da nossa consciência um compromisso inabalável com os direitos humanos e com a compaixão perante o sofrimento”. Desta forma, os subscritores apelam ao voto no candidato apoiado pelo PS a 8 de fevereiro, na segunda volta das eleições presidenciais. “No dia 8 de fevereiro, escolhemos um Portugal que não vira costas a quem precisa. Convidamos todos os profissionais de saúde democratas e humanistas a juntarem-se a este compromisso pela centralidade de um sistema de saúde. Justo, universal e humano”, lê-se no manifesto.
Hélder Aguiar explica que a ideia de agregar vários profissionais da área da Saúde surgiu depois de ter sido lançado um movimento semelhante de apoio a António José Seguro na área da Cultura, assinado por 250 personalidades da área “não-socialista”.