O primeiro-ministro admitiu que os danos causados pela depressão Kristin “são mais do que era expectável no início”. Luís Montenegro afirmou, esta quinta-feira, que será mais uma “prova de superação” que os portugueses têm por “diante”, mas assegurou que o Governo deu uma resposta adequada e realçou que a “ajuda chegou antes da hora do evento” a várias partes do país. E antecipou que dificuldades vão manter-se nos próximos dias.
Em Coimbra, já depois de ter passado por Leiria e Ansião, Luís Montenegro adiantou também que o Governo está em contacto com a Comissão Europeia para se desenhar e “perspetivar formas de financiamento” para a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin. “Estamos em contacto com a Comissão Europeia e com o gabinete da senhora presidente da Comissão Europeia para tentarmos desenhar e perspetivar formas de financiamento para ajudarmos as pessoas, as famílias e as empresas, e também as entidades públicas, a superarem este momento”, disse, em declarações aos jornalistas.
Luís Montenegro afirmou que o Governo faz “um apelo a que todos aqueles que têm uma responsabilidade direta nas ações de restabelecimento e de indemnização dos prejuízos o possam fazer, em particular as companhias de seguros, que naturalmente têm também um espírito de solidariedade acrescido, que têm manifestado noutras ocasiões de calamidade, que é de acelerarem procedimentos, a de agilizarem procedimentos para que as pessoas não fiquem demasiado tempo à espera de serem ressarcidas”.
O primeiro-ministro não quis, ainda assim, adiantar valores dos prejuízos causados pelo mau tempo. “É prematuro”, destacou. Luís Montenegro explicou que esta sexta-feira haverá uma “reunião entre o ministro da Economia e Coesão Territorial”, Manuel Castro Almeida, com as comunidades intermunicipais “para tentar fazer um primeiro levantamento” dos danos.
Luís Montenegro defendeu que o encontro é necessário para que possam ser decididas “fontes de financiamento interno” e também para candidaturas a fontes de financiamento europeias. “Todos teremos de colaborar agora nestes dias, semanas, meses para nos reerguermos mais fortes com as nossas infraestruturas fortalecidas e edificados”, destacou.
Críticas de autarcas? Ajuda “chegou antes da hora do evento”
Confrontado com as críticas de alguns autarcas em relação à atuação do Governo, o primeiro-ministro respondeu que a “ajuda chegou da primeira hora”, reformulando: “Chegou antes da hora do evento”. Luís Montenegro justificou que o Governo “antecipou as consequências da passagem da depressão por Portugal”, elevando “o nível de prontidão” e “deslocalizando os meios de apoio para as zonas que seriam mais afetadas”.
Neste sentido, o primeiro-ministro exemplificou que a autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, e vários funcionários “dormiram na Proteção Civil”: “Seguiram toda a noite a par e passo deste funcionamento coordenado que nós fizermos”.
Contudo, Luís Montenegro disse compreender “profundamente o grito de alerta” de alguns autarcas. “Era uma situação verdadeiramente desafiante e muito difícil de enfrentar: não haver comunicação, não ter energia elétrica e não ter abastecimento de água. É, de facto, um panorama complexo”, afirmou o primeiro-ministro. O chefe do executivo assegurou também que falou “desde a primeira hora” com os autarcas dos “municípios mais afetados”, mas reconheceu que pode ter havido situações em que o Governo não conseguiu dar resposta.
Sobre o estado de calamidade decretado esta quinta-feira — e em resposta às críticas que foi demasiado tarde —, Luís Montenegro realçou que se fez “tudo” mesmo sem esse estado. “Não houve nada que tivesse ficado por fazer por não estar decretada a situação da calamidade”, garantiu, acrescentando que “não teve impacto nenhum”.
Montenegro diz que “dificuldades” devem manter-se nos próximos dias: “É expectável um aumento significativo dos níveis de chuva”
“É expectável um aumento significativo dos níveis de chuva” na próxima semana, antecipou Luís Montenegro aos jornalistas, dizendo que as “dificuldades nos próximos dias” deverão manter-se, em particular eventuais cheias e inundações.
O primeiro-ministro garantiu que a Proteção Civil está “mobilizada” para os eventuais efeitos do mau tempo que pode chegar a Portugal na próxima semana, assim como pediu a aplicação de “medidas preventivas”. “Não quero assustar ninguém e digo isto de forma serena e responsável para sensibilizar e respeitarmos as indicações das autoridades para diminuir o risco que temos diante de nós”, elaborou Luís Montenegro.
Em relação a que regiões do país podem estar mais suscetíveis a cheias, Luís Montenegro disse que as “populações ribeirinhas” estão mais sujeitas por causa dos “aumento de caudais”, dando o exemplo do Ribatejo, Águeda e até Coimbra.
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