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O hospital de Santo André, em Leiria, recebeu 232 doentes com traumas associados à passagem da depressão Kristin até ao início da tarde desta quinta-feira, continuando a funcionar com recurso a geradores. A Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, que abarca este hospital, teve mesmo necessidade de transferir doentes para os hospitais de Coimbra e das Caldas da Rainha, para poder concentrar esforços nas situações de trauma. A atividade assistencial programada (consultas e cirurgias) continua suspensa.
“Desde as 5h da manhã do dia 28 e até às 14 horas de hoje, recebemos 232 pessoas com trauma associado à depressão”, avança ao Observador a diretora clínica da ULS da Região de Leiria, Catarina Faria. A médica explica que, enquanto até à tarde desta quarta-feira a urgência do hospital de Leiria recebeu feridos diretos dos efeitos da depressão Kristin, desde aí que os feridos têm outro perfil: são pessoas “com traumas em resultado das reparações, quedas de telhado“, detalha, pedindo à população “cautela na realização destas atividades, que devem ser feitas, se possível, com o apoio dos bombeiros”.
O hospital de Leiria continua a funcionar com recurso a geradores de emergência para garantir eletricidade, tendo combustível suficiente para garantir a atividade durante dois dias. No entanto, Catarina Faria afasta a possibilidade de o hospital poder ficar sem energia, uma vez que, sublinha, a ULS conta com o apoio da Proteção Civil. “Estamos no nível 2 do plano de contingência devido a fatores externos. Temos geradores a funcionar a combustível mas estamos a ter fornecimento de combustível através da Proteção Civil diariamente“, salienta a responsável, acrescentando que o abastecimento de água não está comprometido.
Hospital de Leiria continua sem comunicações para o exterior
O mesmo não acontece em relação às comunicações. “Estamos sem comunicações com o exterior, temos apenas comunicações internas”, o que dificulta a interação com as autoridades e com os utentes, frisa a diretora clínica da ULS da Região de Leiria. Em comunicado, a ULS adianta também que registaram “danos nas infraestruturas, nomeadamente nas coberturas e em equipamentos aí localizados, incluindo equipamentos instalados ao abrigo” do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Desde as 5 da manhã desta quarta-feira que a ULS suspendeu toda a atividade programada, mantendo apenas a realização de cirurgias urgentes e a doentes oncológicos e as sessões de quimioterapia do Hospital de Dia. A quase totalidade da resposta está agora direcionada para as situações de trauma causadas pelo mau tempo, uma situação que levou a ULS a reforçar as equipas médicas e de enfermagem, nomeadamente nas especialidades de ortopedia e cirurgia geral, refere Catarina Faria.
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“Tem havido resposta da ULS, com reforço da equipa médica e de enfermagem e também de auxiliares. As pessoas estão a mobilizar-se“, garante a médica, acrescentando que profissionais que estavam de férias e de folga se apresentaram ao serviço, bem como profissionais dos cuidados de saúde primários e da Saúde Pública. Apesar dessa mobilização e dos efeitos da depressão Kristin, a responsável garante que os centros de saúde da região estão a funcionar, apelando à população que utilize estes serviços em casos não urgentes. “Quero apelar à população que venha ao serviço de urgência [do hospital de Santo André] apenas em situação de extrema necessidade para não sobrecarregar a urgência com situações menos graves”.
Hospitais de Coimbra e das Caldas estão a receber doentes de Leiria
Até ao momento, a ULS da Região de Leiria já transferiu 18 doentes, com outras necessidades médicas que não o trauma mas que precisam de internamento, para os hospitais das Caldas da Rainha e para Coimbra, refere Catarina Faria. Dez doentes foram transferidos do hospital de Leiria para o hospital de Coimbra e outros oito do hospital de Alcobaça para o hospital das Caldas da Rainha. “Leiria está em contingência e a priorizar o trauma”, acrescenta.
Quanto aos doentes crónicos que precisam de tratamentos de forma regular (nomeadamente doentes respiratórios e renais), a diretora clínica da ULS de Leiria deixa alguns conselhos práticos. Se possível, “os doentes que têm cuidados respiratórios no domicílio devem tentar entrar em contacto com a empresa que fornece os dispositivos”. “Se não conseguirem devem dirigir-se ao centro de saúde mais próximo para conseguirem carregar os aparelhos e obterem ajuda para contactar os fornecedores através da Proteção Civil e dos bombeiros”, salienta a responsável, acrescentando que “os doentes em hemodiálise devem dirigir-se às clínicas de hemodiálise para fazer a sessão”.
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Questionada quanto ao apoio que está a ser dado pela Direção Executiva do SNS (DE-SNS) ao hospital, Catarina Faria refere que aquela entidade está em contacto permanente com o Conselho de Administração da ULS da Região de Leiria (“de meia em meia hora”). “É através deles que articularmos necessidades de abastecimento, medicamentos, doentes respiratórios no domicílio, contacto com outras unidades, com os bombeiros”, detalha a responsável.
O Observador questionou a Direção Executiva do SNS, no sentido de perceber que apoio está a ser dado à ULS de Leiria, mas ainda não obteve resposta.
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