A tempestade Kristin esteve no centro do debate parlamentar desta quinta-feira, mas o PS elegeu outro tema para a sua declaração política: a Saúde. Mariana Vieira da Silva criticou as falhas do Governo em cumprir as promessas feitas em período eleitoral e não poupou as críticas à ministra Ana Paula Martins. A deputada socialista acusou a ministra da Saúde de “fugir sempre de tudo“, nomeadamente “de audições parlamentares agendadas há meses”, em referência a uma audição regimental marcada para 11 de fevereiro.
Findo o debate parlamentar, o Governo esclareceu, num comunicado enviado ao Observador, que “não houve qualquer cancelamento” da presença de Ana Paula Martins. Segundo o Executivo, a ministra comunicou a sua indisponibilidade para ser ouvida na data original, mas indicou “de imediato” o dia 18 de fevereiro como data alternativa para a sua audição. O ministério dos Assuntos Parlamentares afirma que, desde o início da legislatura, a governante já esteve 10 vezes em Plenário e três vezes na Comissão Parlamentar de Saúde. “A Senhora Ministra da Saúde, como qualquer membro do Governo, não se furta ao escrutínio parlamentar”, conclui.
Antes, Mariana Vieira da Silva tinha dito que é “imperdoável” que o Governo “não dê a cara” sempre que há uma fatalidade ou problemas. “Ninguém vê, ninguém ouve a ministra Ana Paula Martins em momentos difíceis”, afirmou, considerando essa ausência “chocante”.
A antiga ministra socialista listou várias áreas em que considera que o Governo falhou: reduzir os tempos de espera, atribuir médicos de família a todos os portugueses, abrir USFs modelo C ou reduzir a procura excessiva de urgências. “Falharam nas medidas boas e nas medidas más, falharam em toda a linha.”
A parlamentar admitiu fez ainda a comparação com os anos de governação socialista, defendendo que “o muito que funcionava bem no SNS não melhorou e as dificuldades existentes pioraram”. Mariana Vieira da Silva criticou também a mudanças de administrações hospitalares, nomeadamente durante o pico da gripe, e considerou que o Governo “já não tem o benefício da dúvida” na saúde.
Por fim, sugeriu que as ausências da ministra da Saúde no Parlamento não são uma novidade, acusando Ana Paula Martins de ter-se servido de desculpas para não estar presente em “praticamente todas” as audições da legislatura passada,. Também a bancada do Chega levantou a questão da audição regimental de 11 de fevereiro em que se esperava a presença de Ana Paula Martins. Marta Silva desafiou a Mariana Vieira da Silva a acompanhar o Chega na consideração que “Portugal não tem ministra da Saúde”.
Em resposta a Vieira da Silva, o social-democrata Francisco Sousa Vieira acusou o PS de ter “desarrumado completamente a casa” na área da saúde, quando esteve no Governo. Lembrando que os Executivos de António Costa não inauguraram nenhum hospital público, o deputado perguntou: “O PS vai finalmente ajudar a arrumar o que desarrumou?”