Ainda há supermercados fechados nos concelhos de Leiria, Figueira da Foz e Marinha Grande, mas a normalidade está a ser gradualmente reposta. A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) adianta ao Observador que foram seis os supermercados que não abriram esta manhã, de um total de 41, mas um acabou por abrir à hora do almoço e outras duas superfícies também já retomaram a atividade. As lojas que não abriram foi porque não tinham geradores.
“Foram de imediato acionadas medidas para minimizar esta situação, estando as populações afetadas a serem devidamente encaminhadas, através de informação afixada nos espaços comerciais encerrados, para as lojas mais próximas em regular funcionamento”, informou a associação que representa os retalhistas em comunicado.
O diretor-geral da APED garante que o setor não está preocupado com possíveis falhas no abastecimento de produtos alimentares nos concelhos mais afetados pela depressão Kristin porque “a cadeia está a funcionar, as centrais logísticas estão a abastecer normalmente”. A única dificuldade operacional foi chegar aos locais, devido às estradas obstruídas, mas também aqui a situação está gradualmente a voltar ao normal.
Tal como a APED tinha avançado esta quarta-feira ao Observador, foi feito um trabalho entre o retalho e o Governo para “tentar desbloquear questões burocráticas relativas aos transportes”. Os camiões têm tacógrafos e, por lei, estão limitados no número de horas seguidas em que podem circular. Uma vez que havia estradas bloqueadas, “se os camiões estivessem parados três horas, quando começassem a andar o tacógrafo dizia que já tinham cumprido as horas todas”. Por isso foi aberta uma exceção para que os motoristas pudessem conduzir por mais horas seguidas, o que também já tinha acontecido no apagão de abril do ano passado.
“A logística não pode parar. Nesse aspeto estamos a aguentar-nos bem e as lojas estão a ser abastecidas com produtos, não há motivo nenhum para a população estar preocupada”, diz o porta-voz da APED.
A maior parte dos supermercados continua aberta ao público, apesar da falta de eletricidade nestas zonas, porque tem geradores alimentados por combustível que asseguram o seu funcionamento. “Há reservas de combustível que estão estabelecidas para este tipo de situações”, sublinha Gonçalo Lobo Xavier. A APED tem, entretanto, vindo a falar com o Ministério da Administração Interna e com a Secretaria de Estado da Proteção Civil para que sejam revistos em alta os litros de combustível que devem estar reservados para casos como este.
Quanto a notícias que dão conta do racionamento de alguns produtos, nomeadamente água, a APED assegura que não houve “nenhuma situação” desse género, mas “se começarmos a ver açambarcamentos temos de tomar medidas, mas isso está previsto na lei”.
Esta tarde no parlamento, o deputado da Iniciativa Liberal Mário Amorim Lopes afirmou que há supermercados “a disponibilizar abrigo e refeições” à população das zonas mais afetadas pela tempestade. A APED confirma que há “dois retalhistas a fazer doações”, sem adiantar quais.
Apagão em Leiria afeta água e telecomunicações. Abastecimento alimentar não estará em risco
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