Membros do governo liderado por Donald Trump e de um movimento separatista da província de Alberta, no Canadá, têm estado em contactos para aprofundar laços numa altura em que tentam lançar o caminho para um referendo com vista à independência da região, cravada no meio do país da América do Norte.
Segundo o Financial Times, o grupo Projeto de Prosperidade para Alberta reuniu-se em privado três vezes com o Departamento de Estado dos EUA para procurar financiamento para a campanha, ligada aos movimentos da direita radical provincial. E quer ter outra no sentido de procurar financiamento para os esforços da campanha para um eventual referendo independentista.
Ao jornal britânico, o advogado do movimento, Jeff Rath, que esteve nos três encontros, contou que “os EUA estão extremamente entusiastas com uma Alberta livre e independente“.
Nem o Departamento de Estado, nem a Casa Branca, confirmaram diretamente o encontro, dizendo apenas que “grupos da sociedade civil” encontram-se regularmente com a Casa Branca. O departamento negou mesmo que tenha havido uma declaração com qualquer tipo de compromissos ou de apoio.
A hipótese de um referendo está ainda numa fase embrionária, com o movimento a necessitar de 178 mil assinaturas até maio para haver uma votação. Numa recolha da petição realizada na cidade de Calgary, centenas de pessoas fizeram fila para assinar a petição, segundo a emissora GlobalMedia. Na capital provincial de Edmonton, o signatário Brian Copping disse à CBC que vê a província a ser deixada para trás em relação à capital.
Fontes próximas da posição norte-americana sobre a questão de Alberta indicaram ao Financial Times que os EUA oferecerem apoio material aos separatistas é improvável. Porém, segundo essas mesmas fontes, as conversas são um reflexo da tensão entre os dois países já que Donald Trump nunca escondeu as suas ambições expansionistas para com o vizinho do norte, tendo repetidamente afirmado que gostaria que fosse o 51.º estado dos EUA.
A notícia chegou aos principais representantes canadianos numa altura em que os líderes das províncias e o primeiro-ministro, Mark Carney, se reuniam na capital, Otava.
Questionada sobre a questão após o encontro, Danielle Smith, líder regional de Alberta, disse à CBC que espera que “a administração norte-americana respeite a soberania canadiana” e que deixe “as discussões sobre o processo democrático” da região para os seus habitantes e para os canadianos. Mark Carney também foi questionado sobre o assunto, tendo remetido para as palavras da representante da província.
As palavras mais fortes sobre o assunto vieram antes do encontro e de uma província vizinha de Alberta, a Columbia Britânica. O líder dessa região, John Eby, atacou os separatistas por irem “pedir ajuda para quebrar o país a uma potência estrangeira que tem um Presidente que não tem sido respeitoso da soberania do Canadá”.
“Acho que, embora possamos respeitar o direito de qualquer canadiano de se expressar para votar num referendo, precisamos estabelecer limites para as pessoas que procuram a ajuda de países estrangeiros para dividir esta nossa bela terra”, afirmou. “Há uma palavra à moda antiga para isso, e essa palavra é traição“, disse Eby à emissora pública.
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