Maher Tarabishi foi detido pelos Serviços de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) a 28 de outubro do ano passado, em Dallas. Desde esse dia que ficou afastado do filho Wael, de quem era o principal cuidador. O homem, de 30 anos, sofria de uma doença genética, rara, crónica e progressiva — doença de Pompe — e morreu a 23 deste mês. Mas, segundo a CNN, os serviços de imigração não permitiram que Tarabishi participasse nas cerimónias fúnebres, que aconteceram esta quinta-feira.
“Estamos profundamente dececionados com a decisão do ICE de negar a Maher Tarabishi a oportunidade de se despedir do seu amado filho, Wael. A decisão reflete a trágica falta de humanidade daqueles que estão no comando”, assumiu o advogado da família de Tarabishi, Ali Elhorr, citado pela televisão norte-americana. Já a família disse que impedir Maher de estar no enterro de Wael “só agravaria as feridas deixadas pela dor dos últimos meses”, depois de vários pedidos públicos para uma libertação temporária, relatou a CNN.
O funeral estava inicialmente marcado para quarta-feira e na véspera — ou seja, na terça — Elhorr revelou que tinha estado a discutir a logística e as condições necessárias para Maher estar presente na cerimónia e que o ICE demonstrara “disponibilidade para facilitar uma libertação supervisionada”. No entanto, no fim, acabaram por não o fazer e, segundo a CNN, os serviços acabaram por quebrar uma regra interna. O ponto 5.2 sobre as detenções do ICE explica que “os termos permitem aos detidos manterem laços com as suas famílias através de viagens à comunidade, acompanhadas por funcionários de emergência, para visitar familiares próximos gravemente doentes ou para assistir aos seus funerais”.
Num vídeo postado nas redes sociais antes de morrer, Wael disse que, mentalmente, nunca tinha estado pior, divulgou a AlJazeera. “O meu pai sempre foi o meu herói, o meu porto de abrigo. Ele fazia tudo por mim, 24 horas por dia, e o ICE levou-o sem motivo algum”, contou Wael.
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“Até ao último momento de consciência de Wael, ele continuou a pensar e a falar sobre o pai”, disse a família Tarabishi num comunicado citado pela FOX.
Aliás, Shahd Arnaout, cunhada de Wael, garantiu mesmo, em declarações à CNN, que foi difícil para a família cuidar de Wale durante a detenção do pai, porque era Maher que lhe dava banho, o vestia e ajudava a alimentar e a tomar a medicação através de um tudo. Segundo Shahd, a saúde do sobrinho foi piorando nos dias a seguir à detenção do pai e o jovem acabou por desenvolver complicações que colocaram a sua vida em risco.
O jovem foi internado duas vezes, a primeira em novembro, devido a uma pneumonia, e a segunda em dezembro, por causa de uma infeção estomacal causada pelo deslocamento do tubo de alimentação. Esteve internado até morrer. A tia garante que Wael pediu para ver o pai, que o homem detido solicitou essa autorização, mas que o pedido foi negado.
Maher, de nacionalidade jordana, chegou em 1994 aos EUA, país onde já tinha vários familiares, proveniente do Kuwai com um visto de turista. Trabalhou como engenheiro informático até 2019, ano em que se tornou cuidador do seu filho. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos disse à CNN que Maher, que garante ser membro da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), recebeu ordem de expulsão em 2006. Já o advogado assegura que o homem teve autorização para permanecer nos EUA por ser responsável pelo filho e que tinha que se apresentar anualmente no ICE. Já a família desmente qualquer ligação à OLP. Segundo a CNN, não se sabe quando será repatriado para a Jordânia.
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