Uma jovem de 20 anos colocou a Meta e o YouTube em tribunal acusando as empresas de tecnologias de criarem intencionalmente plataformas viciantes que prejudicaram a sua saúde mental, desenvolvendo ansiedade, dismorfia corporal e pensamentos suicidas. Segundo a CNN, os advogados da Meta e do YouTube vão argumentar que os problemas de saúde mental da queixosa são resultado de uma vida familiar difícil e não das redes sociais.
A queixosa — identificada pelas suas iniciais, KGM — começou a utilizar o YouTube aos seis anos e o Instagram aos nove. De acordo com a defesa, chegava a passar “seis a sete horas por dia” a ver vídeos no YouTube e “várias horas por dia” a explorar o Instagram. Apesar das tentativas da mãe de usar software de terceiros para bloquear o acesso às plataformas, KGM conseguia sempre ter acesso.
A acusação alega assim que recursos como feeds de scrolling infinito, notificações frequentes e filtros que alteram o corpo causaram problemas de saúde mental à jovem, que afirma ainda ter sofrido bullying e ter sido alvo chantagem sexual no Instagram.
“Acho que seremos capazes de mostrar provas que indicam que o Instagram e o YouTube criaram certas funcionalidades de design para manter jovens utilizadores como KGM envolvidos pelo maior tempo possível”, disse o advogado de acusação, Mark Lanier, durante a seleção do júri num tribunal estadual em Los Angeles. “Ela ficou obcecada com estas plataformas; a sua saúde mental deteriorou-se. A sua infância e, consequentemente, a sua vida adulta, desviaram-se do caminho normal”, acrescentou, citado na CNN.
Mark Lanier destacou também a infância difícil que a jovem teve: fruto de uma relação abusiva, os pais divorciaram-se quando tinha três anos e a mãe criou três filhos sozinha. “Espero que também ouçam as provas de que a situação de KGM pode ter sido causada pela sua situação familiar. Os réus argumentarão que a mãe dela poderia ter tirado o telemóvel a qualquer momento”, disse o advogado, acrescentando que a sua situação a tornou mais “frágil” com recursos desenhados para criar um “loop” viciante.
Estes recursos têm sido negados pelas gigantes tecnológicas nos últimos anos, que defendem que as suas plataformas não prejudicam os jovens uma vez que têm implementadas funcionalidades de segurança, como ferramentas de controlo parental, lembretes para “fazer uma pausa” e restrições de conteúdo. “Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as provas demonstrarão o nosso compromisso de longa data em apoiar os jovens”, afirmou um porta-voz da Meta. À CNN um porta-voz do YouTube disse que as alegações do processo são “simplesmente falsas” e que “proporcionar aos jovens uma experiência mais segura e saudável sempre foi fundamental para o nosso trabalho”.
O caso de KGM pode vir ajudar a orientar a forma como cerca de 1500 processos semelhantes contra empresas de redes sociais serão resolvidos. De acordo com a CNN, as perdas poderão colocar as empresas de tecnologia em risco de terem de alterar as plataformas e pagar indemnizações em milhares de milhões de dólares. A jovem também processou o Snapchat e o TikTok mas ambos concordaram em chegar a um acordo antes do julgamento. Nas próximas semanas espera-se que o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, o CEO do Instagram, Adam Mosseri, e o CEO do YouTube, Neal Mohan, testemunhem.
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