Apesar de o Tavascan herdar a base do VW ID.5 e ser possível construir as unidades destinadas à Europa numa das fábricas alemãs do Grupo VW especializadas em veículos eléctricos, respectivamente em Zwickau e em Emden, a Cupra optou por produzir este SUV a bateria na China, em Anhui. O objectivo consistiu em beneficiar dos menores custos de produção, da mão-de-obra mais barata e dos benefícios atribuídos pelo Estado chinês. Aliás, foi mesmo devido a estas ajudas estatais, consideradas ilegais pela Organização Mundial do Comércio por aumentarem a competitividade destes veículos, que vários países incrementaram as taxas à importação, com destaque para os que integram a União Europeia (UE).

Produzido na fábrica de Anhui, propriedade da VW (75%) e dos chineses da JAC (25%, com esta empresa a pertencer ao Estado), o Tavascan é comercializado no mercado local, mas é também exportado para a Europa, onde é obrigado a suportar uma taxa adicional de 20,7%, a mesma a que os veículos da JAC estão sujeitos à entrada dos mercados da UE. Isto retira alguma competitividade ao SUV da Cupra, embora os especialistas afirmem que as taxas adicionais aplicadas aos veículos eléctricos vindos da China apenas beliscam as vantagens atribuídas pelo Governo chinês.

Cupra revelou o Tavascan, um ID.5 mais refinado e agressivo vindo da China

De acordo com a publicação germânica Handelsblatt, quando a Comissão Europeia criou a legislação para penalizar os eléctricos chineses, terá deixado uma porta aberta na regulamentação que a VW está agora a tentar explorar. Em vez de pagar os 20,7% adicionais, a Cupra pode aceitar vender o modelo por um preço mínimo pré-determinado que, segundo a UE, lhe anule — ou pelo menos minimize — as vantagens comerciais oferecidas pela China.

A seguir com muita atenção todas estas negociações, entre o Grupo VW, a que pertence a Cupra, e Bruxelas, estão os construtores chineses e, por detrás deles, o próprio Estado, que é proprietário da maioria. E se a UE abrir a porta à Cupra, permitindo evitar impostos à importação, mais construtores que fabricam modelos a bateria na China, chineses ou não, vão querer passar por essa “abertura”.