Um feito que só tem paralelo em nomes históricos e que obriga a recuar várias décadas. Depois da vitória deste domingo contra o Famalicão em Alvalade, Rui Borges chegou ao 13.º triunfo consecutivo a jogar em casa e igualou os registos de Mário Lino, em 1973/74, e József Szabó, em 1953/54. Ou seja, há 52 anos que um treinador do Sporting não ganhava tantas vezes seguidas perante os próprios adeptos.

Daniel e uma cabeça que tem juízo e não faz o corpo pagar (a crónica do Sporting-Famalicão)

Os leões regressaram às vitórias depois do empate no Dragão e mantiveram as distâncias no topo da Primeira Liga, continuando a quatro pontos da liderança do FC Porto e com mais três pontos do que o Benfica. Num jogo em que Luis Suárez foi baixa por castigo e Pedro Gonçalves também já ficou de fora da visita a Moreira de Cónegos na próxima jornada, por ter visto o quinto cartão amarelo, Daniel Bragança acabou por quebrar um insistente nulo já dentro dos últimos dez minutos e depois de ter entrado já durante a segunda parte.

“Era um jogo muito importante, sabíamos que tínhamos de vencer, era obrigatório. Não fizemos uma primeira parte bem conseguida, mas melhorámos bastante na segunda e tivemos oportunidades para fazer golo. Insistimos e conseguimos marcar. Depois segurámos o resultado. O Famalicão também merece uma palavra, porque fez um excelente jogo. Mas nós melhorámos na segunda parte e vencemos, acho que acaba por ser justo”, disse o médio português, que nunca tinha marcado de cabeça em toda a carreira e reconheceu que até ficou “surpreendido”.

Mais à frente, Daniel Bragança abordou o facto de o Sporting só ter marcado um golo apesar de ter feito 19 remates. “Há dias assim, não há explicação. Talvez por termos dois avançados fora, não sei. Há dias em que a bola não entra, ou só aos 82′ ou aos 90′. A verdade é que entrou e isso é o mais importante. Jogámos com as armas que tínhamos e tentámos fazer da melhor maneira, sabendo que não contávamos com os dois avançados. Tínhamos o Rafael [Nel] no banco, pronto para entrar, e acabou por se estrear e por fazer um bom papel. Tentámos na primeira parte com falta de energia, na segunda melhorámos e fizemos o golo. Jogámos com as armas que tínhamos e acabámos por vencer”, defendeu.

Já Rui Borges, que viu o Sporting vencer pela margem mínima pela sexta vez em sete jogos, disse que a vitória foi “merecida”. “Por tudo o que fomos capazes de fazer ao longo dos 90 minutos.Tivemos mais remates, mais posse. Jogámos contra uma boa equipa, muito bem organizada, competente, competitiva, forte no encurtamento de linhas e em não nos dar muito espaço para pensar. Obrigou-nos a errar mais passes do que o habitual, principalmente na primeira parte, mas apesar de tudo, ao longo dos 90 minutos, tem dois lances, que é o golo anulado e o lance em que se isola. Dois lances em transição, na segunda parte não chegaram à nossa baliza. Andámos sempre perto da área, faltou-nos alguma capacidade para finalizar da melhor forma em alguns momentos. Mérito do adversário, que soube defender a sua baliza e ser competente e competitivo, o que valoriza ainda mais a nossa vitória”, começou por dizer.

“Houve muitos momentos no último terço em que era claro que a malta não tomava decisões porque não víamos lá uma referência. É totalmente diferente um jogo sem referências. Se calhar é culpa do mister, não jogar com a referência. Só tínhamos o Nel, optei sempre por esperar para meter o miúdo mais na segunda parte do que a jogar de início, porque também não teríamos mais ninguém para jogar naquela posição. Em alguns momentos faltou-nos a referência na área, até para tomar decisões mais fáceis, adornámos em alguns momentos algumas decisões. Os jogos vão ser cada vez mais difíceis, vai ser cada vez mais complicado vencer”, explicou.

Mais à frente, o treinador leonino não escondeu que a vitória foi importante. “A pressão aqui é diária, independentemente dos resultados dos outros. Queríamos ganhar, fazer o melhor, uma segunda volta melhor do que a primeira, para sermos primeiros classificados, que é isso que queremos e muito. Sabemos que vai exigir ainda mais de nós esta segunda volta, pela capacidade dos adversários, que estão melhores. É confiar sempre na equipa e ir acreditando. E peço a força dos adeptos em todos os jogos, que essa energia é muito importante e tem sido muito importante, têm sido fantásticos”, vincou, mostrando-se ainda “muito feliz” pelas 13 vitórias seguidas em Alvalade e garantindo que o “único pensamento” que tem é voltar a ser campeão nacional pelos leões.