“Os nossos ‘diplogatos’ e ‘diplocães’ têm sido excelentes embaixadores e tenho a certeza de que continuarão os seus esforços exemplares sem mim.” Depois da despedida da vida política de Palmerston, o Reino Unido despede-se do antigo “caçador-chefe de ratos” do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, que morreu “pacificamente” a 12 de fevereiro. O Ministério prestou-lhe homenagem nas redes sociais, despedindo-se com carinho e reconhecendo o seu contributo enquanto “diplomata felino”. O gato preto e branco morreu nas Bermudas, onde vivia “semireformado” da vida pública.
Our Chief Mouser, feline diplomat and former @Battersea_ resident, Palmerston @DiploMog, has sadly passed away at his retirement post in Bermuda.
Farewell Palmerston, with love and thanks from all your FCDO friends. pic.twitter.com/YjMUfE31Ld
— Foreign, Commonwealth & Development Office (@FCDOGovUK) February 16, 2026
Palmerston, Diplocat extraordinaire, passed away peacefully on 12 February. “Palmy” was a special member of the Government House team in Bermuda, and a much loved family member. He was a wonderful companion, with a gentle nature, and will be sorely missed. pic.twitter.com/W0V6fRniFj
— Palmerston (@DiploMog) February 13, 2026
Palmerston, que recebeu o nome em homenagem ao Visconde Palmerston, secretário dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro do século XIX, ingressou no “serviço diplomático” em 2016. Tinha-se reformado em 2020, após quatro anos ao serviço em Whitehall, a sede do governo britânico, e passou então a viver tranquilamente no campo.
These days an All Staff meeting @foreignoffice includes @DiploMog – Chief Mouser pic.twitter.com/p2PoypeFGe
— Simon McDonald (@SimonMcDonaldUK) May 18, 2016
A reforma chegou quando Palmerston já era considerado sénior, ainda que a sua idade nunca tivesse sido conhecida ao certo — um pormenor que tornava discutível até o momento certo para deixar funções. Estimava-se que o gato resgatado do abrigo Battersea Dogs and Cats Home tivesse cerca de 12 anos.
Na carta em que formalizava a sua retirada profissional, endereçada a Simon McDonald, o então funcionário público do mais alto escalão no Ministério, “escreveu” que estava a gostar de subir a árvores, patrulhar os campos ao redor da sua nova casa e que queria passar mais tempo “a relaxar longe dos holofotes”.
❗️Important news❗️ pic.twitter.com/PTEun74QYA
— Palmerston (@DiploMog) August 7, 2020
“Descobri que a vida longe da linha de frente é mais tranquila, calma e fácil”, lê-se na carta assinada em nome de Palmerston que deixa ainda uma homenagem aos “diplogatos” e “diplocães”, considerando-os “excelentes embaixadores”.
“O meu truque característico: fingir dormir enquanto oiço todas as conversas dos dignitários estrangeiros. Vai ser uma grande perda para a nossa recolha de informações. Mas, à medida que envelheço, preciso de afastar-me das funções diplomáticas e aproveitar algum tempo só para mim”, conclui.
Andy Murdoch foi quem se tornou o seu dono, escolhido pelo próprio, como explicou Simon McDonald ao The Times. “Quando chegou ao interior de Hampshire, Palmerston afeiçoou-se completamente ao marido da minha secretária particular, Andy Murdoch. Foi ele que acabou por se tornar o seu verdadeiro dono.”
Em fevereiro de 2025 chegou o último capítulo da sua vida, quando Murdoch foi nomeado governador das Bermudas. No X, Palmerston anunciou um regresso à atividade, desta vez num posto diplomático no estrangeiro, como “consultor de relações felinas (semirreformado)” do novo governador.
I took time out of my busy day to welcome the new U.S. Consul General, Ms Antoinette Hurtado to Bermuda. We are going to be great friends. After this busy diplomatic work, I resumed my semi-retired consultancy lifestyle.@USConsHamilton @FCDOGovUK pic.twitter.com/g0Scb2aFpg
— Palmerston (@DiploMog) April 3, 2025
Palmy, Palmy, burning bright,
In the forests of the night;
Now that you have changed address,
Which ambassador will clean up your mess? pic.twitter.com/Viggl9gCXy
— Palmerston (@DiploMog) May 4, 2020
Palmerston não era o único felino na rua da política britânica, e a sua chegada não foi bem recebida por todos. A convivência com os outros gatos podia ser tensa, e Palmerston chegou a envolver-se em vários desentendimentos pouco diplomáticos com Larry, o seu antigo rival e atual caçador-chefe de ratos do número 10.
O território não era o único motivo de atrito. Por vezes, o gato preto e branco invadia o número 10 para tentar abocanhar a comida de Larry, sem se preocupar com protocolos felinos. Até Evie, uma gata do gabinete do primeiro-ministro em Whitehall, chegou a ser vítima do apetite de Palmerston.
Larry the Downing Street cat spots the Foreign & Commonwealth Office pet Palmerston and doesn’t look like he’s in a welcoming mood outside Number 10 ???? pic.twitter.com/DHkAgBf0Ys
— ITV News (@itvnews) May 7, 2019
Ainda assim, com o passar do tempo, acabou por surgir um certo respeito entre Larry e Palmerston, que parecem ter aprendido a tolerar-se, segundo o fotógrafo Justin Ng, citado pelo The Times. Durante o verão, era comum vê-los a descansar lado a lado, como dois companheiros.