Foi uma “investigação extremamente complexa”, mas terminou com uma detenção apenas quatro dias depois do seu início. Um jovem de 20 anos foi detido em Espanha por manipulações fraudulentas de sistemas de pagamento numa plataforma de reservas hoteleiras, causando prejuízos na ordem dos 20 mil euros, comunicou esta quarta-feira a Policia Nacional espanhola.

Para conseguir manipular o valor final a pagar, o jovem acusado de fraude automática sabotou o sistema integrado num site de reservas de hotéis, selecionando a opção para pagar através “de uma plataforma internacional de pagamentos eletrónicos”, para depois alterar o processo de validação da transação, por intermédio de um “ataque cibernético especialmente desenvolvido”, asseguram as autoridades. Esse processo fazia com que o sistema autorizasse a operação depois do pagamento de apenas um cêntimo.

Não foi aí que o jovem levantou suspeitas. O mesmo site dava como pagas as reservas feitas pelo detido. Só depois de o site transferir o valor em questão — um cêntimo — para o estabelecimento que ia receber o hacker, é que a investigação teve início, após uma queixa de uma das empresas afetadas. O padrão de alegados erros nas reservas efetuadas por este jovem deu indícios suficientes às autoridades de que havia intenção e de que não se tratava de um mero erro informático. “Um ciberataque especificamente concebido”, lê-se na nota das autoridades, que entraram em ação após a denúncia de uma dessas plataformas de reservas.

Foi apenas um cêntimo que este jovem teve de pagar por serviços hoteleiros que ascenderam, em alguns casos, aos mil euros por noite. Era, por exemplo, esse o valor do estabelecimento onde se encontrava na altura em que foi detido, num hotel de luxo em Madrid. Não foi só aos 20 mil euros de prejuízos que o jovem hacker, ‘de cêntimo em cêntimo’, chegou. As autoridades espanholas dizem ainda que o jovem deixou dívidas em alguns dos estabelecimentos por consumos relativos aos mini-bares dos hotéis onde pernoitou.

Toda a análise dos passos dados pelo jovem foi “realizada por especialistas em crimes cibernéticos”, conta a Policia Nacional, que diz ainda que “a investigação continua em aberto e outras acusações poderão ser apresentadas”.