A Air France KLM está a trabalhar numa proposta não vinculativa para a compra de até 49,9% da TAP. A informação foi avançada pelo administrador financeiro do grupo durante a apresentação dos resultados de 2025. Steven Zaat não quis avançar qualquer informação confidencial sobre o processo, mas confirmou que houve uma “conversa simpática” com a administração da companhia portuguesa no quadro da operação.

“No fim do dia o que importa é que eles se sintam confortáveis com a nossa abordagem e que nós nos sintamos confortáveis”. A Air France KLM é um dos três candidatos selecionados para a privatização de uma participação minoritária do capital da TAP, a par com a IAG e com a Lufthansa. Os concorrentes têm até 2 de abril para apresentarem uma primeira oferta não vinculativa.

“Temos um grupo que está a analisar a operação e indicamos que a TAP pode vir a ter um papel centeal na nossa organização”. O resultado destas abordagens vai depender do preço e da estrutura de governação da TAP. Questionado sobre a se compra da TAP pode comprometer a meta de 8% do grupo para a margem operacional, o presidente executivo, Benjamin Smith, sinaliza que a Air France KLM não vai investir numa companhia “se não tiver a confiança” de que pode atingir essa margem, que aliás o grupo ainda não conseguiu alcançar em 2025.

Benjamim Smith realça ainda que a TAP é um bom jogador na América do Sul e com esta rede o grupo assegura uma cobertura mais diversificada o que será “muito positivo para nós”.

Air France KLM ainda não atingiu meta e pede corte de taxas no aeroporto dos Países Baixos

A Air France KLM apresentou esta quarta-feira um resultado operacional de dois mil milhões de euros para o ano passado, o que corresponde a uma margem de 6,1%. Apesar do resultado recorde, que se refletiu também ao nível das receitas e que fez a empresa disparar em bolsa, os responsáveis da companhia franco-neerlandesa sublinham que ainda estão longe da meta de 8% que fixaram para a margem do negócio de aviação. A dívida líquida ainda está a crescer, o que é justificado pela renovação da frota em curso e que os gestores do grupo justificam como sendo necessária para alcançar um modelo sustentável de negócio. Só assim, se poderá pagar dividendos aos acionistas, o que ainda não irá acontecer este ano.

“Temos de continuar a melhorar”, afirmou o presidente executivo sinalizando que o caminho terá que ser feito pelo lado do corte nos custos, uma vez que não é possível aumentar mais os preços no contexto de grande concorrência. E em matéria de cortar os custos, o grupo elege o aeroporto de Schipool, o hub da KLM, como alvo prioritário, fazendo críticas à gestão pública do aeroporto dos Países Baixos que paga dividendos sem investir e que cobra das taxas mais caras da Europa. “Temos de convencer o aeroporto a baixar as taxas”, defendeu. Benjamim Smith. Os responsáveis do grupo confiam que o novo Governo dos Países Baixos será mais favorável à indústria da aviação.

Num arranque de ano negativo, muito marcado pelo mau tempo em França e nos Países Baixos, que afetou as reservas, os gestores da Air France KLM apontam para uma queda da procura pelo mercado norte-americano, em particular por parte de clientes da Ásia e África, devido à “situação” que se vive naquele país, indicou o CFO sem detalhar. Também houve uma queda de procura por parte do norte da Europa pelo mercado americano, mas a Air France KLM não antecipa para já cortar a capacidade porque a sua oferta continua a ser “muito atrativa” para os americanos que querem vir para a Europa.