A polícia britânica revelou estar a “avaliar” informações sobre voos privados que chegavam e partiam do aeroporto de Londres Stansted e que podem estar ligados ao tráfico de mulheres, avançou um porta-voz da Polícia de Essex em comunicado esta quarta-feira. As alegações surgem após a publicação da última leva de documentos dos ficheiros de Jeffrey Epstein.
Segundo a CNN Internacional, o aeroporto de Londres Stansted é mencionado em mais de 80 documentos nos ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA. Um e-mail datado de novembro de 2012, enviado a Epstein por uma pessoa não identificada, discute os preparativos para uma mulher russa não identificada fazer uma transferência entre voos privados no aeroporto de Londres antes de viajar para os EUA. Um mês depois, num e-mail separado, Epstein pergunta a uma pessoa desconhecida sobre viajar com um indivíduo, cujo nome foi também ocultado, de Paris para Londres de comboio antes de seguir para Stansted de táxi.
O caso surge depois de, na semana passada, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, ter apelado à Polícia Metropolitana de Londres para que reexaminasse “urgentemente” as alegações de que as vítimas de Epstein foram traficadas para o país nestes voos. Num artigo do New Statesman, Brown afirmou que os e-mails divulgados nos ficheiros de Epstein revelavam um rasto documental de vistos, pagamentos e registos de transporte que demonstram que mulheres e raparigas foram traficadas em todo o mundo e que os ficheiros sugeriam que várias raparigas britânicas estavam a bordo de voos feitos a partir de aeroportos do Reino Unido no Lolita Express, o jato particular de Epstein.
“Entre os muitos aspetos que devem deixar qualquer pessoa que veja os e-mails revoltada está o facto de 15 desses voos terem sido autorizados após a sua condenação em 2008 por solicitar sexo a uma menor. A forma como os voos foram autorizados a continuar deveria ter sido totalmente investigada”, escreveu.
O aeroporto de Stansted reagiu afirmando que as operações de aeronaves privadas são realizadas através de terminais independentes e separados, enquanto as verificações de imigração e alfândega são realizadas pela Border Force, um comando policial do Ministério do Interior do Reino Unido.”Trata-se de terminais totalmente independentes, não operados pelo aeroporto de Londres Stansted, e nenhum passageiro de jato particular entra no terminal principal do aeroporto”, afirmou um porta-voz do aeroporto, citado na CNN. “O aeroporto não gere nem tem qualquer visibilidade sobre os arranjos dos passageiros em aeronaves operadas por entidades privadas”, acrescentou.
Esta quarta-feira, a Polícia de Bedfordshire avançou que também “está a analisar os materiais publicados como parte das Divulgações do Departamento de Justiça ao abrigo da Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein, em relação a voos privados que chegam e partem do Aeroporto de Londres Luton”.
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