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As tempestades que afetaram o país nas últimas semanas podem custar cinco ou seis mil milhões de euros, afirma líder da estrutura de missão, Paulo Fernandes. É um “dano gigantesco” que ainda está a ser calculado, reconhece o responsável.

Em entrevista ao jornal Público, o ex-autarca do Fundão, chamado para liderar a reconstrução da região centro, a mais afetada pelas intempéries, afirma que “esta foi a maior catástrofe natural da história contemporânea do nosso país”.

Alertando que “a probabilidade de mais de metade das empresas” da região centro terem danos “é muitíssimo alta​”, o responsável reconhece falhas nos apoios às habitações que ficaram destruídas, mas garante que está a ser preparada uma medida para responder a estas situações. “Seria absurdo resolvermos com centenas de milhões de euros as questões até 10 mil euros e não termos 15 ou 20 milhões de euros para resolver a situação das habitações de desalojados”, afirma Paulo Fernandes, acrescentando que “aí também teremos que ver, provavelmente, o processo de hierarquização de rendimentos e os seguros, mas seria impensável não termos também uma resposta para eles”.

Salvaguardando a questão das vidas humanas, os incêndios todos juntos estão muito aquém do que temos aqui. Com uma agravante, a área de impacto é gigantesca e apanha todas as vertentes. Apanha as vertentes do espaço rústico e agro-florestal, mas, desta vez, as próprias cidades e a estruturas urbanas também foram afetadas de forma muitíssimo severa. Isso faz com que os montantes aqui envolvidos sejam numa escala de milhares de milhões”, afirma Paulo Fernandes.

Ainda não está feito um levantamento sobre o custo total, para o Estado e para a economia, mas Paulo Fernandes adianta que “2,5 mil milhões de euros resolvessem o problema das empresas e o problema das habitações seria espetacular”. “Falar de 5.000 a 6.000 milhões [de euros de prejuízos] não é nada que não esteja dentro do espectro deste desastre ambiental, social, económico, infraestrutural e, no limite, nacional”, atira.

Paulo Fernandes acrescenta que “a probabilidade de mais de metade das empresas” da região Centro terem danos “é muitíssimo alta​”. “Entre os seguros, os 400 milhões de reprogramação do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência], os apoios à tesouraria, que já vai em cerca de mil milhões de euros, e as vertentes mais sectoriais que vamos ter que desenhar, estamos num caminho para poder responder”, afirma.