A proprietária de um lar na Maia acusada de maus-tratos a três idosas de 80, 91 e 92 anos entre os anos 2023 e 2024 recusou esta quarta-feira prestar declarações no Tribunal de Matosinhos.

A arguida, de 62 anos, está acusada de quatro crimes de maus-tratos, dois deles contra a mesma idosa.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), entre os anos 2023 e 2024, a dona do lar maltratou e agrediu com bofetadas na cara três idosas debilitadas e dependentes.

As idosas, que pagavam entre 1.100 e 1.200 euros por mês, sofreram diversos hematomas no rosto, em especial na zona do nariz, lábios e queixo, referiu.

A acusação sustentou ainda que o lar, a funcionar desde 2020, não tinha qualquer licença para o efeito.

“A arguida atuou com o propósito conseguido de infligir maus-tratos físicos e psíquicos a três idosas, bem sabendo que se tratavam de pessoas especialmente indefesas em razão da sua idade e da sua condição de saúde, violando o dever de zelo e cuidado que sobre si recaia”, sublinhou a acusação.

Durante a audiência de julgamento, uma antiga funcionária daquele lar contou que a proprietária gritava muitas vezes com as idosas, insultava-as, dava-lhes bofetadas na cara e tinha pouco cuidado com a higiene daquelas.

“Havia dias em que não havia gel de banho para lhes dar banho”, revelou.

Além disso, acrescentou, havia falta de fraldas e os utentes que as usavam ficavam a noite toda com a mesma.

“Uma vez deixou uma utente vomitada na cama e, a outra, bateu-lhe à frente de toda a gente”, especificou.

E, por vezes, quando estava mais nervosa chamava “porcos” aos utentes, destacou.

A ex-funcionária, atualmente chefe de equipa noutro lar, revelou que foi tirando fotografias ao estado dos utentes e gravando áudios dos insultos para, mais tarde, denunciar a situação por “não concordar com aquilo que ali se passava”.

“Acredito que ela [arguida] estivesse cansada, mas isso não justifica a forma como ela tratava os utentes”, considerou.

Por seu lado, uma militar da GNR explicou que a investigação começou com uma denúncia anónima e que, já durante o período da Covid-19, tinha feito diligências no lar pelas mesmas suspeitas.

A denúncia falava em feridas nos idosos, refeições desadequadas, falta de higiene e maneira agressiva de falar com os utentes, especificou.

“As instalações em si têm condições, mas percebi que a arguida está cansada porque fazia um pouco de tudo no lar”, frisou.

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