Cada português come, em média, 16 quilogramas (kg) de bacalhau por ano e o Natal continua a ser a época mais forte, indicou o Conselho Norueguês dos Produtos do Mar (NSC), que enalteceu o amor do país a este peixe.

“Em Portugal, é impressionante. São 16 kg de bacalhau, [per capita] por ano”, destacou a diretora do NSC em Portugal, Gudfina Traustadottir, que falava aos jornalistas em Ålesund, Noruega.

O Natal continua a ser a época mais forte para o consumo de bacalhau e o NSC perspetiva que, este ano, não será exceção.

Ainda assim, em 2025, as exportações de bacalhau salgado seco da Noruega para Portugal diminuiram face ao ano anterior.

Este ano é esperada uma nova quebra, face às recomendações do comité científico que acompanha os stocks de bacalhau, que é formado por elementos da Noruega e da Rússia, que pescam no mesmo mar.

O NSC vai investir, este ano, em Portugal entre 700.000 e 800.000 euros, em linha com o valor aplicado no ano passado. Neste orçamento incluem-se, por exemplo, ações de promoção e campanhas publicitárias.

Este organismo trabalha em parceria com a indústria norueguesa para aumentar o valor dos produtos do mar, consolidar mercados e entrar em novas geografias.

O NSC é uma empresa pública, que tem sede em Tromsø, e que pertence à esfera do Ministério do Comércio, Indústria e Pescas da Noruega, estando representada em Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, China e Estados Unidos.

Exportações de bacalhau da Noruega para Portugal recuam para 35.000 toneladas em 2025

As exportações de bacalhau salgado seco da Noruega para Portugal recuaram cerca de 1%, no ano passado, atingindo as 35.000 toneladas, valor que deverá sofrer uma nova diminuição em 2026, devido às quotas de pesca daquele país, indicou o NSC.

“Estamos a exportar da Noruega para Portugal 35.000 toneladas, diminuiu um pouco, cerca de 1%” face a 2024, revelou a diretora em Portugal do Conselho Norueguês dos Produtos do Mar, Gudfina Traustadottir, aos jornalistas, na Noruega.

Para 2026, as estimativas apontam para um novo corte nas exportações, uma vez que haverá menos peixe disponível no mercado, face à recomendações científicas do comité formado pela Rússia e pela Noruega, que pescam no mesmo mar.

Segundo dados do NSC, em 2023, as exportações de bacalhau salgado e seco da Noruega para Portugal atingiram 17.915 toneladas, uma quebra de 15% relativamente ao ano anterior.

Por sua vez, as exportações de bacalhau salgado fixaram-se em 17.836 toneladas, menos 4%, com o preço a crescer 24%, enquanto as exportações de bacalhau congelado recuaram 7% para 2.877 toneladas, sendo que o respetivo valor subiu também 24%.

Já as exportações de bacalhau fresco/refrigerado totalizaram 922 toneladas, o que se traduziu numa diminuição de 63%, mas o preço cresceu 30%.

Conselho Norueguês dos Produtos do Mar vai investir até 800.000 euros em Portugal

O Conselho Norueguês dos Produtos do Mar vai investir em Portugal até cerca de 800.000 euros este ano, apesar da diminuição da produção, afetada por quotas.

“Estamos a investir entre 700.000 e 800.000 euros em Portugal”, anunciou a diretora-geral do NSC em Portugal, Gudfina Traustadottir, em declarações aos jornalistas em Ålesund, na Noruega.

Este montante está em linha com o aplicado em 2025, mesmo perante um corte na produção, devido à descida das quotas, porque o NSC acredita que a procura vai recuperar, assim que o peixe puder “voltar aos pratos”.

“Quem define a quantidade pescada é um comité científico, composto pela Rússia e pela Noruega, que pescam no mesmo mar. [Este grupo] faz uma avaliação ao estado do bacalhau e uma estimativa do que é possível pescar”, explicou.

A diminuição da disponibilidade de bacalhau no mar é justificada, em grande parte, pelas alterações climáticas.

Para colmatar este impacto, a aquacultura de bacalhau é já uma realidade na Noruega e também já chega a Portugal, nomeadamente para o consumo em fresco.

Portugal e a Noruega estão a celebrar 120 anos de relações diplomáticas, sustentadas pelo bacalhau, mas de olhos postos no futuro.

“Muitas vezes dizemos que o nosso lema é ‘In cod we trust’ [no bacalhau nós confiamos]. Temos vindo a mostrar que juntos podemos trabalhar em áreas como a economia azul, no reforço da competitividade das empresas portuguesas e para que o bacalhau esteja cada vez mais presente e faça parte da cultura de Portugal”, apontou o embaixador de Portugal na Noruega, Pedro Pessoa e Costa.

O diplomata acredita que esta parceria pode sempre ser reforçada, destacando que nesta ligação ganham os dois países com a partilha de experiências e saberes.

“Podemo-nos mostrar mais na Noruega e mostrar a excelência das empresas portuguesas e dos portugueses”, insistiu, notando que o mesmo acontece com Oslo, uma vez que a “Noruega tem muito mais do que o bacalhau e os fjords” (entradas de mar entre montanhas rochosas).

Por sua vez, a embaixadora da Noruega em Portugal, Hanne Brusletto, sublinhou que os dois países “têm muito em comum”, desde logo “uma fantástica história nos oceanos e a paixão pelo bacalhau”.

A cooperação entre a Noruega e Portugal, conforme apontou, acontece no setor público, com a ajuda dos fundos europeus, mas também no setor privado.

“Estou muito feliz ao ver que os portugueses amam o bacalhau da Noruega. Estou também invejosa porque vocês têm todas as receitas de bacalhau. Os portugueses têm-me ensinado muito sobre o bacalhau, sobre o bacalhau à Brás e os pastéis, mas ainda tenho muitas receitas para aprender”, afirmou.