Quatro irmãos norte-americanos moveram esta semana um processo judicial contra o os representantes legais do património de Michael Jackson, acusando o cantor pop de ter abusado sexualmente deles repetidas vezes ao longo de mais de uma década, quando eram crianças com idades a partir dos sete anos.

Edward, Dominic, Marie-Nicole e Aldo Cascio fizeram parte daquela que ficaria conhecida como a “segunda família” de Jackson, mas revelam agora que foram sujeitos a anos de abusos sexuais, muitas vezes sob o efeito de álcool e drogas.

Os advogados que representam o património de Jackson negam categoricamente as acusações e devolvem-nas, lembrando que a família Cascio defendeu sempre Michael Jackson das múltiplas acusações de pedofilia de que o cantor tem sido objeto nos últimos anos — e que foram extensamente abordadas no documentário “Leaving Neverland“, de 2019.

De acordo com o L.A. Times, Michael Jackson contactou pela primeira vez com a família Cascio na década de 1980, quando o cantor ficou num hotel de luxo em Nova Iorque onde trabalhava o pai dos irmãos, Dominic Cascio Sénior. Foi a partir daí que Jackson estabeleceu uma relação com a família Cascio através de uma “atenção obsessiva, presentes luxuosos, acesso ao seu estilo de vida de celebridade e declarações de que os amava e de que precisava de cada um deles”, de acordo com o processo judicial movido esta semana.

A estrela, as acusações e as imagens: foi isto que Michael Jackson fez na Terra do Nunca? E agora?

Jackson começou a convidar a família para viajar por todo o mundo nas suas digressões musicais e para passar com ele festividades como o Natal, o Dia de Ação de Graças e o seu aniversário.

Segundo o processo agora movido pelos quatro irmãos, vários desses momentos em viagem, nas casas de Jackson ou na casa da família foram ocasião para abusos descritos como “atos sexuais extremos”. Jackson recorria a códigos como “Disneyland” ou “Yogi Tea” ou “podemos ter uma reunião” para descrever os encontros sexuais.

Além disso, diz a imprensa norte-americana, Jackson também usava códigos para o vinho (“sumo de Jesus”) e as bebidas brancas (“sumo da Disney”) que dava às crianças — a quem também dava drogas — para as tornar mais dóceis e obedientes. Jackson também mostraria às crianças vídeos pornográficos e fotografias de crianças nuas, com o objetivo de as dessensibilizar.

Segundo o processo, Michael Jackson também terá cometido abusos sexuais contra estes irmãos nas casas de Elizabeth Taylor na Suíça e de Elton John no Reino Unido.

Porém, o advogado Marty Singer, que representa o espólio de Michael Jackson, negou categoricamente as acusações. “Esta família defendeu firmemente Michael Jackson ao longo de mais de 25 anos, testemunhando a sua inocência de qualquer comportamento inapropriado”, disse Singer em declarações ao L.A. Times, que classificou o processo judicial como um “esquema para obter centenas de milhões de dólares do espólio e das empresas de Michael”.

Singer recordou ocasiões concretas em que, no passado, os irmãos Cascio já tinham falado publicamente de Michael Jackson.

Um dos exemplos mais célebres foi a ida dos irmãos Cascio ao programa de Oprah Winfrey, em que os irmãos não só negaram ter sofrido qualquer abuso como ainda lamentaram que o cantor fosse “um alvo” de acusações após a morte.

Em 2019, já depois da estreia do documentário “Leaving Neverland”, os irmãos terão assinado um acordo de confidencialidade, comprometendo-se a manter o silêncio sobre a relação da família com Jackson. Em contrapartida, cada um dos irmãos receberia 690 mil dólares por ano do espólio do cantor. Os irmãos querem, agora, anular este acordo de confidencialidade, alegando perante a justiça norte-americana que foram coagidos a assinar o documento.

[Depois de anos em fuga, o guru é finalmente detido. Mas o movimento de yoga e as escolas em todo o mundo continuam a funcionar. Ouça o último episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro e aqui o quarto e aqui o quinto episódio]