A Lufthansa reafirmou o seu interesse no processo de privatização da TAP para o qual foi selecionada, mas não se compromete com a apresentação de uma primeira oferta não vinculativa cujo prazo termina no início do mês de abril.
“A TAP é um parceiro perfeito para nós”, sublinhou o presidente executivo da companhia. Carsten Spohr destacou, em particular, a oferta para o mercado brasileiro que é o complemento para a forte oferta da Lufthansa para os Estados Unidos. Questionado durante a apresentação dos resultados de 2025, o gestor sublinhou ainda que o grupo demonstrou que sabe manter a identidade e as marcas das suas companhias e dos seus hubs. A Lufthansa é acionista de várias empresas europeias como a Austrian Airlines e a Swiss, tendo mais recentemente comprado uma participação na italiana ITA.
Portugal seria mais um parceiro estratégico importante, considerando também que estão em curso outros investimentos no mercado português, como um polo da Lufthansa Technick no Porto e um projeto para a criação de uma escola de pilotos com a TAP. No entanto, Carsten Spohr não se quis comprometer para já com a apresentação de uma oferta. “É um interesse que temos de desenvolver, mas ainda não estamos nessa fase”. Apesar de conhecer bem o país e a TAP, a Lufthansa só avançará se o negócio criar valor para o grupo.
Questionado sobre a salvaguarda do hub de Lisboa (da TAP), Carsten Spohr sugeriu que se olhasse para o mapa europeu para perceber a “posição única de Portugal no Atlântico Sul” e para ver onde os outros concorrentes têm os seus hubs. Paris (hub da Air France) e Madrid (hub da Iberia do grupo IAG) são mais perto de Lisboa do que hubs da Lufthansa (que ficam no centro da Europa) e, nessa medida, “são uma ameaça mais forte” ao hub da TAP.
Também por isso confia que a Lufthansa teria mais facilidade que as outras concorrentes em fazer passar pelas autoridades de concorrência europeias a compra de uma participação de até 49% da TAP. Essa questão “não é tão relevante para nós”.