O ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, pai de um dos suspeitos da violação uma adolescente de 17 anos na última semana, foi dado como desaparecido na terça-feira pela sua família, avançou o jornal O Globo. No dia a seguir, José Carlos Costa Simonin — que foi exonerado do cargo após ser tornado público que um dos suspeitos era seu filho — reapareceu e foi internado num hospital no bairro da Barra da Tijuca, noticiou também o mesmo jornal. A mulher disse que Simonin, que estaria “desorientado e possivelmente em surto”, está em tratamento com quimioterapia contra um cancro do pulmão.

A adolescente foi violada e agredida durante mais de uma hora alegadamente por quatro jovens maiores de idade, entre os quais Vitor Hugo Simonin, e também um adolescente. O pai do suspeito tinha sido visto pela última vez em Copacabana, na zona Sul do Rio de Janeiro, segundo fontes da polícia do bairro onde terá ocorrido a violação, num apartamento que pertence aos Simonin. O seu paradeiro era desconhecido.

Um dia antes do desaparecimento, na segunda-feira, o advogado da vítima tinha publicado nas suas redes que fora “intimidado” por José Carlos Costa Simonin. Numa publicação na sua página no Instagram, Rodrigo Mondego partilhou uma mensagem que o pai de Vitor Hugo lhe enviou. O jurista pondera agora a abertura de uma ação contra José Carlos Costa Simonin por violência contra partes envolvidas em processos judiciais, avançou o mesmo jornal.

Ex-subsecretário dos Direitos Humanos terá intimidado uma atriz que se revoltou com o crime

Numa publicação no X, já na terça-feira, Mondego escreveu: “[Já] virou quase um clássico entre pessoas mais abastadas que cometem crimes no Brasil, alegar que estavam em ‘sofrimento mental’ no momento do facto”.

Uma atriz brasileira que partilhou um conteúdo a expressar revolta pelo caso de violação afirma também ter sido intimidada por José Simonin. Na segunda-feira, o homem terá enviado uma mensagem a Sherazade Medina, através de uma mensagem no Instagram: “Ela [a vítima] é sua filha? É a sua cara. Esconde estes [seus] peitos”. A mulher apresentou entretanto uma queixa na 12.ª delegacia de Copacabana. A Polícia Civil do Rio de Janeiro deverá interrogar Simonin relativamente às intimidações online feitas à atriz e ao advogado, avançou a rádio brasileira Band News.

José Carlos Costa Simonin foi exonerado do cargo de subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos no Governo do Rio de Janeiro, logo no dia 3 de março. A pasta enviou uma nota aos meios de comunicação social a “reafirmar o compromisso com a dignidade humana e a preservação da vida”, acrescentando que a demissão foi justificada “no âmbito administrativo, visando resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos factos noticiados”.

À estação TV Record, José Simonin garantiu “desconhecer as atividades no imóvel da família e afirmou que o seu filho deve responder pelos seus atos se for considerado culpado“.

Estudantes pedem “aulas para enfrentar a violência de género”

A vítima é uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Após a sua denúncia ter vindo a público, mais duas raparigas sentiram-se encorajadas a denunciar que também terão sido assediadas por elemento do mesmo grupo, que serão presentes a tribunal. A Polícia Civil está a investigar os casos, segundo a Agência Brasil.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Em frente à reitoria do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, alunos manifestaram-se contra os casos de assédio e violação

Em protesto, vários estudantes do Pedro II fizeram uma manifestação em frente à reitoria da instituição. Os adolescentes apelam à implementação de “disciplinas sobre educação sexual para enfrentar a violência de género”. A porta-voz dos alunos, a também estudante Ana Belarmino, disse à Agência Brasil que se existisse conhecimento sobre estes assuntos, “não haveria uma aluna sem saber se tinha sido violada ou não“. O debate sobre assédio e violação terá sido “silenciado” pelo Colégio Pedro II, afirma.

Na segunda-feira, a reitoria terá criado uma comissão para tratar de queixas sobre assédio moral e sexual, importunação sexual, discriminações e racismo. E, em nota, respondeu que “não há silêncio institucional” sobre o tema, que “sempre foi tratado com a devida seriedade pela gestão”.

Notícia atualizada às 11h17 de 12/03/2026 com a informação de que José Carlos Costa Simonin apareceu e foi internado.