O PCP, o Livre e o BE juntaram-se este sábado à manifestação pelo direito à habitação em Lisboa, com mais de mil pessoas, deixando críticas ao Governo, que acusaram de responder à crise com medidas que beneficiam o mercado.
“Estas pessoas estão aqui hoje [este sábado] a exigir uma coisa tão simples, que são casas para viver, e o Governo quer é casas para especular”, resumiu o secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo foi um dos líderes partidários a juntar-se na capital à manifestação promovida pela plataforma Casa Para Viver sob o mote “Já não dá! Voltamos à rua por Casa para Viver!”, que se realizou este sábado em 16 localidades do país.
Depois de assistir à passagem dos mais de mil manifestantes pela Avenida da Liberdade, Paulo Raimundo falou aos jornalistas e manifestou preocupação com a forma como o executivo de Luís Montenegro está a responder à crise à habitação.
“Com quantas mais medidas o Governo avança, mais caras as casas ficam, mais as rendas sobem, e, como se isso não bastasse, ainda vem mais uma nova lei para acabar com o resto, para aumentar os despejos”, argumentou, referindo-se às medidas aprovadas na semana passada em Conselho de Ministros para agilizar despejos em casos de incumprimento no arrendamento.
“A dada altura, o Governo tem que parar e pensar se efetivamente quer continuar a seguir este caminho que tem seguido”, concordou Paulo Muacho, do Livre.
Sublinhando que a crise na habitação é “a maior crise” que o país tem neste momento, o deputado acusou também o Governo PSD/CDS-PP de falta de vontade política para a resolver, dando como exemplo a inutilização de edifícios públicos atualmente vazios.
“É isso que faz com que o preço das rendas possa baixar”, defendeu Paulo Muacho, alertando também para o crescimento de “bairros de barracas”, um cenário que considerou inaceitável e que disse fazer lembrar a capital durante a década de 1990.
Pelo BE, José Manuel Pureza concordou com a afirmação de que as medidas do Governo protegem essencialmente o mercado, “como se a crise de habitação não fosse o mercado a funcionar”.
“São medidas contrárias àquilo que poderá resolver a nossa situação”, afirmou o coordenador do BE, defendendo, pelo contrário, limites às rendas e, a longo prazo, o investimento em habitação pública e uma política de habitação com “regras muito disciplinadas”.
“A falta de habitação para gente mais nova, os preços exorbitantes para famílias de classe trabalhadora e de classe média, a prestação da casa a subir… Isso é o mercado a funcionar”, insistiu o bloquista, pedindo “coragem política” para inverter esse caminho.
Além de Lisboa, 15 outras localidades foram este sábado chamadas ao apelo da plataforma Casa para Viver.
No Funchal, na Madeira, a iniciativa juntou cerca de 30 pessoas e, no Porto, perto de 500.