O número de detidos no âmbito da Operação Almocreve, relacionada com movimentos financeiros ilícitos de 30 milhões de euros, subiu para 19, depois da detenção de mais dois suspeitos, anunciou na sexta-feira esta força policial.

Em comunicado, a PJ explicou que os dois detidos estavam “em trânsito” pelo país devido à atividade criminosa. Os outros 17 suspeitos haviam sido detidos na semana passada, recordou.

A PJ adiantou que 18 dos 19 detidos são suspeitos dos crimes de associação criminosa, branqueamento, burla qualificada e burla por meio informático, estando em causa movimentos financeiros ilícitos na ordem dos 30 milhões de euros, e um por tráfico de droga.

Dos 17 detidos no dia 11, e após serem presentes a tribunal, 10 ficaram em prisão preventiva – medida de coação mais gravosa –, três ficaram proibidos de se ausentar do país, contactar uns com os outros e apresentações semanais e quatro com Termo de Identidade e Residência (TIR).

No âmbito da mesma operação, foram ainda detidos outros dois suspeitos em Espanha e um em França, em cumprimento de mandados de detenção europeus.

Depois do  primeiro interrogatório judicial, estes três suspeitos ficaram sujeitos a apresentações em tribunal e entrega de passaporte até à decisão quanto a entrega às autoridades nacionais.

“A investigação incide sobre uma organização criminosa de caráter transnacional, gerida a partir do estrangeiro, controlada por cidadãos angolanos e brasileiros, que utilizava o sistema bancário nacional e internacional para movimentar sucessivas contas bancárias, disponibilizando um “serviço de branqueamento” a outras estruturas criminosas”, especificou.

Mediante o pagamento de uma taxa que podia atingir 50% do montante a branquear, a organização criava cadeias de contas em catadupa, domiciliadas em vários países e tituladas por diferentes pessoas, assegurando o “retorno limpo” dos proveitos ilícitos, acrescentou.

A PJ referiu que entre os 30 milhões de euros identificados, associados à organização, cerca 2,5 milhões correspondem a prejuízos causados a vítimas e lesados já identificados, maioritariamente sociedades sediadas no espaço europeu.

A PJ contou que a investigação prossegue.