Depois da reunião desta terça-feira sobre o pacote laboral, Mário Mourão, secretário-geral da UGT, surgia a falar aos jornalistas ao lado dos patrões, numa declaração conjunta em que justificavam a postura de silêncio que pretendem adotar até à próxima reunião. Ao seu lado tinha também Lucinda Dâmaso, presidente da UGT e vice-presidente do PSD, que de acordo com declarações ao Observador de uma fonte próxima às negociações tem sido um fator promotor de um “bom espírito negocial” entre o Governo, patrões e a central sindical nas últimas reuniões.

A presença mais assídua da presidente da central nos encontros é justificada por fonte da UGT como resultado das opções do próprio Ministério do Trabalho. “A senhora ministra é que entendeu antes fazer reuniões apenas com os líderes [principais na negociação da reforma] e agora nesta fase mais avançada é que a presidente começou a ir”, garante a mesma fonte, recordando que a presença de Lucinda Dâmaso chegou a ser proposta, por exemplo, em substituição de Mário Mourão numa reunião, em fevereiro, que acabou a ser cancelada devido a “questões de agenda” do secretário-geral, mesmo depois de os representantes dos patrões se terem deslocado ao edifício governamental.

A presença recente da histórica social-democrata tem servido como fator de equilíbrio, dizem várias fontes, além de que “representa de alguma forma os sociais-democratas” em contraposição à representação socialista de Mário Mourão, levando a que a conversação entre as partes tenha “estabilizado” depois de um quase rompimento das negociações a 9 de março.

E é dentro da UGT, e das suas duas correntes partidárias, que várias fontes ouvidas pelo Observador dizem estar agora a palavra final que é preciso dar em relação a um acordo para a reforma laboral. Por isso mesmo é que esta terça-feira se optou pelo silêncio conjunto (que inclui Maria do Rosário Palma Ramalho) em relação a matérias específicas a que já se chegou a acordo no processo negocial. “Entrar na malha fina pode prejudicar as hipóteses de acordo porque aumenta a pressão mediática sobre a UGT“, garante uma fonte das confederações patronais ao Observador.

Reunião para discutir o pacote laboral marcada para 6 de abril. Três dias antes do Secretariado Nacional da UGT

Foi o próprio secretário-geral da central sindical, Mário Mourão, a admitir esta terça-feira que terá de “prestar contas aos mandantes da UGT”, referindo-se aos secretários-gerais e presidentes dos vários sindicatos e federações sindicais afiliadas à central.

A “avaliação” das negociações, como lhe chamou, remetendo para uma fase final das negociações, vai acontecer no dia 9 de abril, data marcada para o Secretariado Nacional da central sindical. Três dias antes, a 6 de abril, está marcada uma reunião que junta novamente UGT, patrões e Governo.

O encontro, sabe o Observador, vai servir para uma “estabilização dos conceitos adquiridos” durante as negociações, que já duram há quase oito meses. No fundo, um balanço do que foi consensualizado até agora, que servirá de base ao que os representantes da UGT levarão ao órgão máximo da central sindical.

A UGT já tinha garantindo antes que não tomaria nenhuma decisão definitiva em relação ao posicionamento sobre a reforma laboral antes de reunir o Secretariado Nacional.