Álvaro Santos Pereira vai defender, dentro do Banco de Portugal, o fim da figura dos “consultores da administração”, um cargo habitualmente dado a quem passa pela administração do supervisor e, depois, tem uma espécie de lugar de “recuo” onde mantêm salários na mesma ordem de grandeza, sem a mesma responsabilidade. O governador diz não estar “minimamente preocupado” que isso possa dificultar o recrutamento de administradores para o Banco de Portugal entre pessoas com carreira no banco.

Questionado na conferência de apresentação do Boletim Económico do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira confirmou que essa é a sua intenção: acabar com a figura dos “consultores da administração” na instituição, algo que já tinha sido noticiado após a confirmação de que Mário Centeno não iria ocupar esse cargo e negociou uma aposentação com o banco.

O que algumas fontes do setor têm apontado é que, acabando-se com essa figura, o Banco de Portugal poderia ter maiores dificuldades em recrutar – dentro da instituição, nomeadamente entre diretores de departamento – pessoas para o conselho da administração. Isto porque os mandatos na administração são de apenas cinco anos e quem tem uma carreira no Banco de Portugal pode, depois, ficar “sem saída” porque, entretanto, o cargo que ocupava antes foi ocupado por outra pessoa.

“Não tenho a mínima preocupação sobre essa questão, chegar a administração do Banco de Portugal é chegar ao topo da carreira”, respondeu Álvaro Santos Pereira, acrescentando que, na sua opinião, “o que não faz sentido é chegar ao topo e depois, quando tem de sair, não ter funções adequadas”.

Acima de tudo, como acontece noutros reguladores, é importante que se criem condições para as pessoas terem um período de “cooling off” e, depois, saírem da instituição. Vai haver um debate interno sobre isso e é isso que eu vou defender”, salientou Álvaro Santos Pereira.

O governador acrescentou, ainda, que “quem vem para o conselho de administração do Banco de Portugal isso é o topo que as pessoas podem alcançar – é o banco central da nação“. “Portanto não tenho a mínima preocupação de que as pessoas não aceitem lugares de administração porque sabem que depois não poderão ser consultores da administração”, repetiu.

Banco de Portugal. A casa onde os administradores ganham 200 mil por ano e garantem quase o mesmo, depois, como consultores