Centenas de postos de abastecimento de várias regiões da Austrália estão já sem combustível e o Governo prevê que os próximos meses “podem não ser fáceis”. As falhas atuais justificam-se com a corrida às bombas de gasolina devido ao “pânico” e “estrangulamentos na distribuição”, refere o primeiro-ministro Anthony Albanese, que apela ao uso de transportes públicos.

“Os próximos meses podem não ser fáceis”, disse Albanese, num raro discurso à nação, esta quarta-feira. De acordo o The Guardian, é a sexta vez na história que um primeiro-ministro da Austrália faz um discurso à nação.

Em Nova Gales do Sul e Victoria, no sudeste australiano, houve um aumento acentuado do número de postos sem combustível, nos dias 30 e 31 de março; no oeste da Austrália, as regiões rurais foram consideradas prioritárias pelo Governo australiano, disse a ministra da Energia da Austrália Ocidental, Amber-Jade Sanderson, citada pela ABC; na região de Goldfields-Esperance, no sudoeste do país, o stock de combustíveis acabou devido a uma subida de consumo de combustíveis, face ao que é habitual.

O primeiro-ministro australiano disse que, apesar de Camberra não ser “um participante direto nesta guerra, todos os australianos estão a pagar preços mais elevados por causa dela”.

Albanese tentou tranquilizar os australianos, afirmando que o fornecimento de combustível está garantido nos restantes postos. “Temos um problema com 600 postos e também sabemos que o Governo continua a dizer-nos que há stock mais do que suficiente e, por isso, precisamos de clareza sobre esta questão”, reagiu Angus Taylor, líder da oposição ao Governo australiano.

A resposta a este problema poderá estar na Lei de Recursos de Combustível, Energia e Potência, invocada pelo Executivo e mencionada por Roger Cook, primeiro-ministro da Austrália Ocidental, duas horas antes de o primeiro-ministro da Austrália falar esta quarta-feira. A medida vai obrigar empresas de combustível a partilharem informações detalhadas sobre as suas cadeias de fornecimento, de forma a que o Estado redirecione estrategicamente o combustível para regiões críticas, como é o caso das zonas rurais. Quem não colaborar na partilha das informações, enfrenta multas pesadas. “As sanções serão determinadas, em última instância, pelo tribunal, mas o valor máximo é de 100 mil dólares (86 mil euros) por dia para as empresas e de 10 mil dólares por dia para os particulares”, esclareceu Sanderson.

Ainda para fazer face à crise energética da Austrália há as reservas do país. No entanto, a Austrália tinha apenas à disposição gasolina suficiente para 38 dias e gasóleo para 30, disse a 22 de março o ministro da Energia da Austrália, Chris Bowen, ao jornal britânico — muito abaixo do mínimo de 90 dias exigido pela Agência Internacional de Energia (AIE). Para evitar um recurso às reservas australianas, os EUA estão a ajudar o país com quantidades recorde de petróleo, noticiou a Reuters.

A escassez de combustível é uma consequência direta da guerra no Médio Oriente e do fecho do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente. A Austrália não é exceção: pelo menos seis carregamentos de petróleo com destino ao país já foram cancelados ou adiados, disse Bowen, citado pelo The Guardian.