Um mês e meio depois do jogo da Liga dos Campeões entre Benfica e Real Madrid —que ficou marcado pelas acusações contra Gianluca Prestianni —, o jogador argentino do Benfica quebrou o silêncio e negou ter proferido insultos racistas contra o avançado brasileiro do Real Madrid Vinícius Junior. “Chamaram-me racista quando eu nunca fui e nunca serei“, garantiu o jogador, em entrevista à televisão argentina Telefe, explicando que a palavra ‘mono’ [macaco em português] é um “insulto normal de jogo” para os jogadores argentinos. Prestianni agradeceu ainda o apoio do clube e também dos colegas de plantel depois do incidente, que está a ser investigado pela UEFA.
O jogador do Benfica garantiu não ter proferido insultos racistas e sublinhou que o que mais lhe “doeu” foi ser acusado injustamente por algo que, realça, nunca fez. “O que doeu foi ser acusado de algo que nunca fiz; isso foi o que mais me magoou. Estou muito tranquilo porque todos que me conhecem sabem o tipo de pessoa que sou, e isso basta para mim. Fui punido sem provas, mas já passou”, enfatizou jogador argentino, lamentando o impacto que as acusações de que foi alvo tiveram na família. “Pensei na minha mãe, no meu pai e nos meus avós a terem que ouvir tantas coisas que eu não sou”.
Questionado sobre a acusação de Kylian Mbappé, que garantiu ter ouvido Prestianni a chamar ‘mono’ a Vini Junir cinco vezes, o jogador do Benfica desvalorizou o insulto, sem nunca confirmar ou desmentir que tenha proferido tais palavras na direção do colega de profissão. “Eu ouvi, e para os argentinos, isso é um insulto normal […] Para nós, argentinos, é um insulto normal dizer ‘cagón’ [cobarde, em português] ou ‘maricón [maricas] ”, afirmou Prestianni, que admite ter dirigido insultos como estes a Vinícius Júnior, ao invés de “macaco”.
O jogador argentino agradeceu ao Benfica, ao treinar e aos colegas de plantel pelo apoio que recebeu. “A equipa, o staff técnico… Todos me apoiaram. Por isso, estava muito tranquilo”, referiu o extremo do Benfica, ressalvando, ainda assim, que os colegas de balneário ficaram “confusos” com a quantidade de informação acerca do caso. “Falei com eles para esclarecer as coisas, porque se falava muito cá fora e os meus colegas podiam ficar confusos ou sentir-se afetados. Eu tenho colegas da mesma etnia de Vinicius Júnior e nunca aconteceu nada com eles. Pelo contrário”, reforçou.
Recorde-se que, na sequência deste incidente, a UEFA decidiu suspender Prestianni por um jogo, de forma preventiva, o que levou o jogador argentino a falhar a segunda mão do play-off da Liga dos Campeões, frente ao Real Madrid, no Santiago Bernabéu.